quinta-feira, 22 de outubro de 2026

PROFESSORA É AFASTADA APÓS DIZER QUE NEGROS VÃO MORRER SE FLÁVIO VENCER


Uma professora de uma escola municipal de Potirendaba, no interior de São Paulo, foi afastada após uma aula em que associou um eventual governo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao fascismo e afirmou que crianças poderiam morrer nesse cenário. Durante a explicação, a docente teria usado características físicas dos alunos, como cor da pele e dos olhos, para indicar quem sobreviveria ou morreria.

O caso foi divulgado inicialmente pelo portal G1 e confirmado pela Gazeta do Povo. Segundo os relatos publicados, a professora falava sobre fascismo para estudantes de aproximadamente 11 anos quando relacionou o conceito ao senador Flávio Bolsonaro e ao pai dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Ao explicar o termo, a docente teria afirmado que o fascismo seria uma ideologia de extrema direita associada à expressão “Deus, Pátria e Família”. Em seguida, ao ser questionada por um aluno sobre a relação com os Bolsonaro, respondeu que seria possível entrar em uma era “só de brancos e ricos”, na qual poucas pessoas sobreviveriam.

Durante a conversa, a professora teria dito a uma aluna: “Você ia morrer, pois você é parda”. Sobre outro estudante, comentou: “Ele não, pois é loirinho de olho claro”. A uma criança que perguntou se também morreria, a docente respondeu: “Claro que iria, você está lá com um pezinho na senzala”, conforme os trechos divulgados pela imprensa.

O episódio foi registrado por câmeras de segurança da unidade escolar. De acordo com a prefeita de Potirendaba, Gislaine Franzotti (PL), a situação chegou ao conhecimento da administração municipal após uma mãe relatar que a filha voltou para casa chorando e contou o que teria acontecido em sala de aula.

Em vídeo, a prefeita afirmou que o município tomou providências após tomar conhecimento do caso e destacou a importância das câmeras de monitoramento para a apuração do episódio.

A Prefeitura informou, em nota, que não compactua com qualquer forma de discriminação e que adotará medidas para preservar a identidade das crianças envolvidas, em respeito à legislação.

O caso também foi encaminhado ao Ministério Público do Trabalho, ao Juízo da Infância e da Juventude da comarca e ao Conselho Tutelar.

A ocorrência reacende o debate sobre os limites da abordagem de temas políticos em sala de aula, a responsabilidade dos profissionais da educação e a proteção de crianças contra situações de discriminação racial.

Nota da prefeitura de Potirendaba

"A Prefeitura de Potirendaba informa que tomou conhecimento de relatos graves envolvendo a conduta de uma professora durante uma aula, em uma unidade da rede municipal de ensino.

Segundo os relatos recebidos, a professora teria associado um possível futuro cenário político ao regime fascista, e proferido declarações que teriam provocado medo e abalo emocional, aterrorizando as crianças. Também foram relatadas falas de caráter discriminatório, incluindo referências direcionadas a alunos negros, situação que, se confirmada, é absolutamente incompatível com os princípios de respeito, dignidade e igualdade que devem nortear o ambiente escolar, ainda mais quando vindas de quem deveria proteger, ensinar e direcionar os alunos.

A situação chegou ao conhecimento da prefeita Gislaine Montanari Franzotti após uma mãe relatar que sua filha, de 11 anos, teria retornado para casa emocionalmente abalada e chorando muito por conta do conteúdo das declarações atribuídas à professora.

Diante da gravidade dos fatos, a prefeita determinou que as imagens da sala de aula fossem analisadas, instaurado procedimento administrativo para apuração rigorosa das circunstâncias, peticionado junto ao Ministério Público do Trabalho, ao Juiz da Infância e Juventude, e demais autoridades competentes para que as providências cabíveis sejam adotadas.

A Prefeitura de Potirendaba não compactua com qualquer tipo de discriminação ou conduta que provoque intimidação, constrangimento ou sofrimento emocional aos estudantes.

A escola deve ser um espaço de conhecimento, formação cidadã, respeito às diferenças e segurança emocional. O estudo de episódios históricos, como o Nazismo, e o Holocausto, é fundamental para a educação, mas deve ser conduzido com responsabilidade pedagógica, sem discriminação, intimidação ou utilização indevida da vulnerabilidade emocional das crianças.

Por envolver menores de idade e procedimento em andamento, a Prefeitura preservará a identidade dos estudantes e divulgará novas informações no momento oportuno, respeitando a legislação vigente."

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