Um editorial publicado nesta quarta-feira (9) pela Folha de S.Paulo defendeu o afastamento do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, como uma medida para tentar conter a crise institucional que, segundo o jornal, atinge a Corte.
No texto, publicado na seção “O que a Folha pensa”, o jornal relaciona a atual crise do Supremo ao que classifica como um “acúmulo de poderes sem limites” nas mãos de ministros e critica decisões monocráticas e mecanismos utilizados no âmbito de investigações envolvendo integrantes da própria Corte.
O editorial também menciona as relações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e cita o ministro Alexandre de Moraes e o ministro Dias Toffoli. O texto faz referência ainda a informações obtidas pela Polícia Federal a partir do celular de Vorcaro e ao relatório elaborado pelo ministro André Mendonça no caso.
A Folha critica também a atuação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e afirma que houve uma reação institucional após a divulgação de informações relacionadas ao banqueiro investigado na Operação Compliance Zero.
Outro ponto destacado pelo editorial é a decisão do ministro Flávio Dino, que, segundo o jornal, teria interferido monocraticamente em uma decisão da Segunda Turma do STF e determinado o retorno de Andrei Rodrigues ao cargo. Para a publicação, episódios como esse contribuem para o desgaste da credibilidade da Suprema Corte.
Ao final, o jornal defende que os afastamentos de Alexandre de Moraes e Paulo Gonet seriam, na avaliação editorial, as medidas imediatas mais eficazes para iniciar uma tentativa de restabelecimento da ordem no STF.
A Folha também cobra do presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, a realização de uma sessão pública do plenário para analisar os fatos e as acusações envolvendo integrantes da Corte.
SESSÃO EXTRAORDINÁRIA
Está prevista para a próxima terça-feira (15), às 10h, uma sessão extraordinária que deverá analisar a validade dos relatórios apresentados pelo ministro André Mendonça e discutir a possibilidade de abertura de investigação envolvendo Alexandre de Moraes.
O caso coloca novamente o Supremo Tribunal Federal no centro de um debate sobre os limites da atuação individual de ministros, a transparência das decisões e a necessidade de preservar a credibilidade institucional da Corte.
As acusações e informações mencionadas no editorial permanecem sujeitas à apuração e ao devido processo legal.
