O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi questionado durante entrevista ao programa Canal Livre, da Band, exibida neste domingo (27), sobre uma informação falsa que associa o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) a uma suposta proposta para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.Durante a entrevista, Lula afirmou que “mexer com Nossa Senhora Aparecida não é aceitável” e mencionou episódios anteriores envolvendo ataques à imagem da santa.
Na sequência, a jornalista Adriana Araújo interrompeu o presidente e questionou: “Mas foi uma fake news, né, presidente?”. Lula respondeu: “Eu não sei se foi fake news” e, posteriormente, afirmou que o assunto estava circulando fortemente nas redes sociais.
ENTENDA A INFORMAÇÃO FALSA
A publicação que circulou nas redes sociais atribuía a Flávio Bolsonaro a intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. Entretanto, o projeto citado na origem da polêmica não foi apresentado pelo senador.
O Projeto de Lei 2.623/2007 foi protocolado em 12 de dezembro de 2007 pelo então deputado federal Victório Galli (PMDB/MT). A proposta pretendia alterar a legislação referente ao feriado de 12 de outubro e substituir a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.
A proposta foi posteriormente arquivada, e não há relação de autoria de Flávio Bolsonaro com o projeto.
A associação do episódio ao atual candidato surgiu após uma discussão no programa Em Pauta, da GloboNews. Posteriormente, a emissora corrigiu a informação e pediu desculpas, esclarecendo que o antigo projeto de 2007 não tinha relação com Flávio Bolsonaro.
O rumor ganhou grande repercussão nas redes sociais. Levantamento do Instituto Democracia em Xeque apontou 977,6 mil publicações e 8,5 milhões de interações em 55 horas sobre o episódio. Outro levantamento, considerando um período mais amplo, contabilizou 1,3 milhão de postagens e 124 milhões de interações entre 23 e 27 de setembro.
Flávio Bolsonaro negou que exista qualquer proposta sua para retirar o título de Nossa Senhora Aparecida e classificou a informação como falsa. A controvérsia também chegou ao Judiciário, envolvendo decisões sobre a remoção de conteúdos publicados nas redes sociais.
O episódio ocorre em meio à reta final do primeiro turno das eleições de 2026 e colocou novamente temas religiosos no centro do debate eleitoral.