quarta-feira, 31 de maio de 2017

Irmão de Suzane von Richthofen é retirado de Cracolândia em São Paulo


A falta de amor levou Andreas Richthofen para a cracolândia 
Piaui Hoje
por Cintia Lucas

Entre os muitos usuários de crack encaminhados para os hospitais públicos de São Paulo desde que a medida foi tomada pela prefeitura da cidade, Andreas Albert von Richthofen, único irmão de Suzane von Richthofen, condenada pelo assassinato dos próprios pais com a ajuda do namorado e do cunhado, chamou a atenção da sociedade.
Andreas tinha 15 anos quando seus pais foram brutalmente mortos enquanto dormiam e a descoberta dos autores do crime foi ainda mais chocante. Após a enxurrada de descobertas, depoimentos na justiça, exposição midiática, sem os pais e com a irmã presa e deserdada, Andreas passou a ser o único herdeiro do casal Manfred e Marisia.
Começou assim uma longa disputa judicial para saber quem controlaria o dinheiro da família de classe alta paulistana. A Justiça deixou os recursos sob administração do tio, o médico Miguel Abdalla, que também foi tutor de Andreas até que ele se tornasse maior de idade. Ontem, o hospital entrou em contato com a família, mas horas depois nenhum parente havia aparecido para se responsabilizar pela internação de Andreas, hoje com 30 anos.
Não é que ele mereça maior comoção e ações mais contundentes para pronta recuperação do que todos os outros que estão lá. Mas a sua internação é, acima de tudo, representativa. A imagem do homem sujo, ferido, com roupas aos frangalhos deve ser pensada como um ícone das consequências danosas, muitas vezes irreversíveis, que a desestruturação familiar e o trauma, podem causar em uma pessoa.
Andreas veio de uma família financeiramente abastada, frequentou as melhores escolas, mas nada disso foi capaz de impedir que ele fosse parar na cracolândia. E, assim como ele, muitos outros moradores de  também tiveram problemas familiares, a maioria deles causados pela pobreza, uso de drogas e falta de oportunidade. Ser rico não blindou Andreas da dor e, sem apoio, ele procura a fuga naquilo que seja mais rápido e eficaz, o crack.
O apego de Andreas à família é tão visível, que mesmo internado sua única preocupação era a medalhinha onde estava escrito o nome Richthofen, retirada para exames. Talvez essa fosse a sua única identificação familiar. Quem imaginaria alguém como ele na cracolândia? Mas  muitos, muitos Andreas por lá, ricos, pobres, classe média. Hoje se fala muito em novas formações familiares e  tenho a aplaudir a aceitação social, mas os velhos problemas da “família tradicional” não são pensados e discutidoscom profundidade e a falta de amor ainda é a grande vilã da destruição dos laços que envolvem os seres humanos.

3 comentários:

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  2. O que será que foi feito do dinheiro e dos bens da família? O tio que ficou como tutor poderia se pronunciar pra falar o que aconteceu com ele durante esse tempo onde ele ficou de maior e começou a tomar conta da própria vida. Se devolveu o dinheiro pra ele....

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