sábado, 7 de março de 2026

O CULTO À BURRICE

Prezado Leitor, a priori, alerto-te: no processo de escrita deste artigo ácido, não irei limitar o texto às amarras do politicamente correto. O senso estético grego, aquele entoado por Platão e Aristóteles, será o nosso norte filosófico. Caso tu não concordes com o enunciado do alerta ou sejas um assecla do politicamente correto, pare a leitura no próximo ponto. De antemão, o autor que vos escreve não se vê como uma “mente iluminada” em meio à escuridão intelectual que se arvora na sociedade, contudo, ele se posiciona de forma legítima como uma testemunha ocular dos tempos hodiernos.

Na Grécia Antiga, o conceito de beleza foi ratificado pelo grandioso Platão. O principal discípulo de Sócrates afirmou que a beleza essencial não está no mundo material, outrossim, encontra-se no mundo das ideias. Aquilo que é belo tem em si a perfeição, logo, aquilo que é perfeito não tem a contingência de mudar; se o belo vier a mudar, deixa de ser perfeito. No pensamento platônico, a beleza é abstrata, assim, não pode ser encontrada no plano físico; tal princípio contrasta com a percepção contemporânea do senso comum, a qual, associa a beleza unicamente à aparência. Simplesmente, se nós ficarmos manietados aos grilhões sensoriais, não veremos a beleza essencial revelada pelo Sol.

O senso comum relega o paradigma estético supracitado, confundindo a essência com a aparência. O espírito da burrice move a massa, cegando completamente a sua visão. Os antolhos da mediocridade impedem o olhar panorâmico que discerne a beleza transcendental, inclusive no âmbito da arte. No ano corrente do presente artigo, observa-se o império do relativismo, cuja ideologia predominante iguala todas as manifestações artísticas por baixo: tudo é belo, do lodaçal sonoro de Anitta ao terrível pagode da Bahia, da banana com fita adesiva ao ponto preto na tela branca. E os relativistas de plantão ainda têm o cinismo ou o mau-caratismo de colocar a “arte” em questão no mesmo nível de Beethoven, Bach, Michelangelo e Caravaggio.

Voltemos à Era Clássica e citamos uma icônica frase aristotélica: “Todo ser humano, por natureza, deseja saber”. Não estou querendo ser anacrônico, mas se Aristóteles vivesse nos dias de hoje, não sei se faria tal reflexão. Deixemos a conjectura do “se” e regressemos ao mote deste parágrafo. Consoante o Estagirita, o ser humano tem a tendência natural em buscar a sabedoria, isto é, o alcance do conhecimento é inerente na essência humana. Esta análise aristotélica está coadunada ao significado etimológico da palavra filosofia: amor à sabedoria. De certa forma, em maior ou menor grau, o indivíduo tem a necessidade de conhecer, fator que irá ampliar a sua probabilidade de sobrevivência. Por questão de pragmatismo, o ser humano persegue o conhecimento, em contrapartida, tal busca deveria abrigar também anseios de ordem transcendental.

Enquanto espectador do século XXI, atestamos que as argumentações empreendidas por Platão e Aristóteles não ecoam no inconsciente coletivo, cuja maioria exacerbada encara o conhecimento com indiferença. O espírito da burrice capturou o coração de uma massa descontrolada que se preocupa tão somente com questões imediatistas, materialistas e superficiais. Neste cenário, a música vem sendo vilipendiada, graças ao péssimo gosto daqueles que aceitam o descarte de toneladas de lixo sonoro nos seus tímpanos. Ademais, se qualquer manifestação artística tiver o mínimo rebuscamento, gera ojeriza ou distanciamento da massa. Aproveitando o ensejo, façamos um adendo: as linhas apresentadas neste parágrafo têm a interferência direta da chamada Indústria Cultural, a qual, transformou a arte numa mercadoria enveredada ao lucro. Ilustre Leitor, permita-me uma observação: ao citar a Indústria Cultural, não tenho a mínima intenção de isentar a massa do seu asco pela arte sublime e essencial.

O quadro que está posto nos persuade a ter um entendimento pessimista, pois não é possível discernir no horizonte um fio de esperança. O avanço expressivo da tecnologia não teve e não tem a devida força para afugentar ou mitigar o espírito da burrice. Por sinal, nas redes sociais, os influenciadores digitais são exaltados por inúmeros internautas como verdadeiras divindades, mas, tamanha exaltação não leva em conta o princípio da virtude, muito pelo contrário, as bobagens vomitadas pelos mesmos são extremamente valorizadas e servem até como fonte de inspiração. Em recortes de programas televisivos que trazem quadros de perguntas e respostas, é notável o desconhecimento destas subpersonalidades sobre as questões mais simplórias, cuja plateia ensandecida aplaude passivamente um genuíno show de horrores. O cenário está cada vez mais lastimável, percebendo-se de forma irrefutável a consolidação do culto à burrice. Quem diria que a burrice seria divinizada? Enfim, só nos resta questionar: onde iremos parar?

(Tosta Neto, 07/03/2026)

 

quinta-feira, 30 de maio de 2024

MEU VELHO: O MONÓLOGO ONÍRICO (TOSTA NETO)

 

Na tranquilidade do sono, em pleno território de Morfeu, uma nuvem densa suscita, dissipando-se de forma fugaz. Ambiente sereno e claridade opaca. Três paredes vistas pelo inconsciente. Mesa de madeira com seis cadeiras desocupadas. Eis algumas imagens de lembranças de outrora. No nosso itinerário existencial, tudo tem um propósito e cada peça no tabuleiro tem o seu significado; precisamos ter perspicácia para interpretar as mensagens contidas nos símbolos.

Os frames oníricos prosseguem. A cadeira direita da cabeceira é ocupada. Asas angelicais se abrem e revelam um semblante calmo e feliz; observa-se poucas rugas e óculos. Vestes em tom claro. Cajado recostado na mesa. O Patriarca direciona o olhar para o protagonista do sonho; este último, acometido por uma abissal e doce saudade. Por mais que o corpo esteja adormecido, reações químicas geram um frenesi no mundo do inconsciente.

O Protagonista e o Patriarca compartilham do mesmo nome; sobrenome do avô vivo no neto. Nos derradeiros dias, as notas de Avôhai foram ouvidas incessantemente; versos do genial Zé Ramalho ecoaram no inconsciente. Recordações são replicadas, gerando no ego o regresso ao passado. O tão aguardado reencontro, novamente, é consumado. Apesar da grandiosidade de tal evento, a serenidade se fez presente. A leveza de espírito emana no sonho.

Vovô, por que tu partiste? Fazes muita falta. Saiba que és a minha principal referência intelectual e moral. Vossos ensinamentos norteiam a minha caminhada e tu estás vivo no meu âmago. Sempre te trarei comigo até o fim dos meus dias. Teu corpo perdeu a energia vital, porém teu espírito habita nos corações daqueles que te amaram. Meu Velho, o insensível tempo não será capaz de apagar o amor que tenho por ti. Prezado Leitor, perdoe-me pelo lampejo subjetivo!

Voltemos à dimensão onírica. Lábios se mexem, mas o silêncio persiste. O Protagonista tenta ouvir a mensagem. Apesar do monólogo onírico, a angústia inexiste no receptor. Em certas ocasiões, a compreensão do que é falado não é condição primordial. Insofismavelmente, sentir é uma experiência mais profunda do que o entendimento. Às vezes, nós ficamos preocupados em compreender o mundo num ângulo racional e esquecemos o quão a sensação é algo marcante e inefável. O fato é que necessitamos ter uma relação mais sensitiva com o mundo que nos cerca.

Apesar da explanação final do parágrafo acima, não podemos prescindir do ato de compreender. A experiência onírica é simbólica, por conseguinte, é imprescindível ter mecanismos para interpretá-la. Enfim, posterior ao monólogo, o olhar do Protagonista efetua um movimento de 180 graus, emergindo uma nuvem que flui para o corredor. Uma porta é aberta. Império de cores claras. Mãos aos olhos. Fusão de saudade e catarse espiritual. O corpo desperta. Travesseiro cheio de lágrimas…

(Tosta Neto, 30/05/2024)


quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

LIVE SOBRE O ABORTO NO FACEBOOK DO VEREADOR PR.JÚNIOR MAGRÃO
Na próxima segunda (01), às 19h30, acontecerá uma live no facebook do Pr.Júnior Magrão, com a seguinte temática: "Aborto: a descriminalização e suas consequências". A live será mediada pelo vereador Pr.Júnior Magrão e terá a participação de Leonardo Augusto (Promotor de Justiça no Ministério Público do Espírito Santo) e de Milena Berbari (Advogada que atualmente trabalha no Ministério Público de San Juan na Argentina). Notadamente, o internauta terá a oportunidade de acompanhar a discussão de um tema tão sensível e expressivo para a sociedade.

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

“OS DONOS DA VERDADE”: DOCUMENTÁRIO DO ‘BRASIL PARALELO’ SOBRE CENSURA E LIBERDADE DE EXPRESSÃO
                        

A produtora Brasil Paralelo lançou a série documental “Os Donos da Verdade”, o conteúdo áudio visual foi publicado no canal do Youtube da produtora nesta segunda-feira (17). : A obra, fala sobre a censura e liberdade de expressão, que “em nome do combate às fake news”, é  restabelecido a repressão aos conservadores, com decisões dos agentes de Estado.
Confira o vídeo acima.


terça-feira, 24 de julho de 2018

“Aos vinte anos reina o desejo, aos trinta reina a razão, aos quarenta o juízo”, por Albert Camus

Envelhecer é o único meio de viver muito tempo.
A idade madura é aquela na qual ainda se é jovem, porém com muito mais esforço.
O que mais me atormenta em relação às tolices de minha juventude, não é havê-las cometido…é sim não poder voltar a cometê-las.
Envelhecer é passar da paixão para a compaixão.
Muitas pessoas não chegam aos oitenta porque perdem muito tempo tentando ficar nos quarenta.
Aos vinte anos reina o desejo, aos trinta reina a razão, aos quarenta o juízo.
O que não é belo aos vinte, forte aos trinta, rico aos quarenta, nem sábio aos cinquenta, nunca será nem belo, nem forte, nem rico, nem sábio…
Quando se passa dos sessenta, são poucas as coisas que nos parecem absurdas.
Os jovens pensam que os velhos são bobos; os velhos sabem que os jovens o são.
A maturidade do homem é voltar a encontrar a serenidade como aquela que se usufruía quando se era menino.
Nada passa mais depressa que os anos.
Quando era jovem dizia:
“verás quando tiver cinqüenta anos”.
Tenho cinqüenta anos e não estou vendo nada.
Nos olhos dos jovens arde a chama, nos olhos dos velhos brilha a luz.
A iniciativa da juventude vale tanto a experiência dos velhos.
Sempre há um menino em todos os homens.
A cada idade lhe cai bem uma conduta diferente.
Os jovens andam em grupo, os adultos em pares e os velhos andam sós.
Feliz é quem foi jovem em sua juventude e feliz é quem foi sábio em sua velhice.
Todos desejamos chegar à velhice e todos negamos que tenhamos chegado.
Não entendo isso dos anos: que, todavia, é bom vivê-los, mas não tê-los.”
Albert Camus

CURTA!