quarta-feira, 26 de julho de 2023

A EVOLUÇÃO TÁTICA DE GUARDIOLA (PARTE 3)

No século XXI, presencia-se a evolução física e fisiológica dos atletas, logo, o espaço de jogo ficou mais restrito. Diante de zagueiros rápidos e fortes, é mais árduo atacar com 2 ou 3 jogadores. Nesta circunstância, Guardiola aprimorou o WM (3 – 2 – 5), sistema tático hegemônico nas primeiras Copas do Mundo. Atacar com uma linha de 5 exige preparo físico e recomposição rápida e coordenada na marcação.

Pep fizera uma série de ajustes que possibilitou a evolução do City na temporada 2022-2023: saída de bola com três zagueiros (Aké, Rúben Dias e Akanji); Stones, zagueiro de ofício, deslocado para o meio-campo, mas posterior a perda da bola, recompunha a defesa com Rodri, formando uma linha de 5; Gundogan, volante tradicional, pisando na área como meia-atacante; Bernardo Silva, meio-campista, atuando na ponta-direita; Grealish, abrindo espaço no flanco esquerdo; De Bruyne, pensando o jogo e distribuindo assistências; Haaland, 52 gols em 53 partidas, oportunizou para o City a alternativa do pivô.

Notadamente, Guardiola apresentou uma evolução tática dos primórdios do futebol e concebeu um estilo de jogo belíssimo e dominante. É válido salientar o desempenho soberbo no 1/6 da partida de volta no Etihad Stadium contra o maior vencedor da Champions League: nestes 15 minutos, o Real Madrid deu apenas 13 toques na bola, resultando numa média inferior a 1 passe por minuto. Simplesmente absurdo! Vitória implacável por 4 x 0 que credenciou o Manchester City como virtual campeão.

Por ora, foquemos no plano estatístico. O segundo triplete concedeu a Guardiola o total de 35 títulos, posicionando-o como o 2º técnico mais vitorioso da história. O 1º lugar pertence ao lendário Alex Ferguson (49 títulos), o qual, teve uma carreira deveras longeva. Guardiola tem um itinerário profissional relativamente curto (14 temporadas / Média expressiva de 2,5 títulos por temporada). Se continuar nesta toada, Guardiola irá superar o icônico técnico escocês do Manchester United. Todavia, não sabemos se Pep terá uma carreira longa, porque ele se cobra muito e vive de maneira exacerbada a causa do futebol, fatores que sugam as energias vitais; por ora, devemos contemplar o nível de excelência de sua carreira.

Caro Leitor, independentemente de números, estatísticas e títulos, precisamos nos ater ao legado. Alguns técnicos têm um currículo recheado de taças, porém não deixaram uma herança explícita à evolução tática do jogo. Guardiola, por sua vez, tem os dois requisitos supracitados; é inegável que ele está na principal prateleira dos técnicos que revolucionaram o futebol. Enfim, Pep Guardiola tem um legado categórico na evolução tática, tornando-se paradigma de jogo na era contemporânea.

(Tosta Neto, 26/07/2023)

 

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