Além da força cultural da festa, o calendário deste ano traz um componente adicional de estímulo ao consumo: a realização da Copa do Mundo durante o período junino. A coincidência entre os dois eventos tende a ampliar a circulação de pessoas em bares, restaurantes, casas de eventos e reuniões familiares, favorecendo diferentes segmentos do varejo.
Na Bahia, o São João possui forte capacidade de interiorização do consumo, movimentando centenas de municípios do interior do estado e impulsionando atividades ligadas ao comércio, serviços e turismo regional. O aumento da procura por roupas temáticas, artigos juninos, bebidas e produtos de consumo típico deve sustentar o desempenho positivo do varejo ao longo do mês.
No turismo, a projeção da Fecomércio BA é de crescimento de 3% em relação a junho do ano passado, resultado que deve ser sustentado principalmente pelos deslocamentos regionais característicos do período junino. Diferentemente de outros momentos do ano, junho costuma ser considerado baixa temporada para o turismo nacional de lazer. Na Bahia, contudo, o São João altera essa dinâmica ao impulsionar as viagens para cidades do interior, fortalecendo a movimentação em rodovias, terminais rodoviários, hospedagens e estabelecimentos ligados à alimentação e entretenimento.
INFLAÇÃO DO SÃO JOÃO
Além da movimentação econômica, a Fecomércio BA também elaborou um acompanhamento dos preços dos produtos e serviços mais relacionados aos festejos juninos na Região Metropolitana de Salvador, utilizando dados do IPCA/IBGE.
A análise mostra que a inflação do São João em 2026 tem sido mais pressionada pelos custos de transporte e serviços do que propriamente pelos alimentos típicos. Entre os itens com maiores altas acumuladas em 12 meses até abril estão a gasolina (+15,14%), a passagem aérea (+9,51%), o ônibus intermunicipal (+9,02%), o etanol (+8,65%) e a hospedagem (+7,96%).
*Tribuna da Bahia

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