terça-feira, 29 de dezembro de 2015

"O pensador: uma breve análise sobre o futsal" por Tosta Neto

   Há tempos o Brasil não é mais o “país do futebol” (vulgo futebol de campo). Nos últimos anos, surgiu uma entressafra de bons jogadores. Outrora, presenciava-se um número significativo de craques, status que concedia papel de protagonismo ao jogador brasileiro no cenário internacional. O último futebolista do Brasil que conquistou a “Bola de Ouro” da FIFA foi Kaká, no distante ano de 2007. Em tempos hodiernos, o ex-país do futebol se sustenta exclusivamente no mito de Neymar como possível candidato a melhor jogador do mundo; mito inventado e cevado pela mídia esportiva, sedenta por craques que propulsionem a audiência e o marketing de grandes empresas. Este período de “vacas magras” teve como culminância o homérico 7 x 1.
   A frieza dos números mostra que o Brasil é o país do futsal (heptacampeão mundial). Eu disse hepta, sim, hepta, o nosso futsal superou o fetiche do “hexa”. A verdadeira seleção brasileira conquistou o campeonato mundial em 2012 num jogo disputadíssimo e apoteótico contra a forte seleção da Espanha. No futsal brasileiro inexiste a supracitada entressafra, cuja liga nacional ostenta um nível técnico deveras elevado, nível que não é perceptível no falido e monótono Campeonato Brasileiro da Globo.
   O futsal é um esporte praticado em espaço curto, assim, o atleta precisa ter raciocínio rápido no desenvolvimento das jogadas. No futsal, os erros são imperdoáveis e capitais, resultando na maioria das vezes, na consumação máxima: o gol. Os dribles são curtos e a dinâmica de jogo é acentuada. A prática do futsal exige agilidade de pensamento. O pensar é condição a priori para o grande jogador de futsal. Talvez, o futsal seja a paráfrase perfeita do xadrez entre as diversas modalidades de futebol.
   O autor que vos escreve é persuadido pela memória a destacar o nome de Tarcisio, atleta amargosense de futsal. Tarcisio não joga futsal com o corpo, outrossim, joga com o cérebro. Tarcisio não é jogador de futsal, é o pensador no futsal. Se os jogadores midiáticos da CBF tivessem o talento natural de Tarcisio, o nível técnico do futebol brasileiro não estaria em plena decadência. O pensador não é futebolista profissional por mero capricho do destino.
   O pensador tem olhar de águia, enxerga espaços obscuros para jogadores simplórios. Apesar da baixa estatura, o pensador é rápido como um guepardo, dificultando a marcação dos adversários. Também, o pensador apresenta um eficiente poder de finalização, todavia, a sua principal virtude é o fator surpresa, este último, desmonta as defesas mais consistentes. Surpreender é primordial para alcançar o triunfo, pois é um elemento que não está presente no leque da previsibilidade. Em momentos nebulosos e difíceis, o ato de surpreender atrelado ao pensamento, é um caminho seguro até a conquista da vitória. Por conseguinte, os Grandes Gênios das diversas áreas da ciência e do esporte, conjugaram e conjugam com maestria os verbos surpreender e pensar. É preciso surpreender! É preciso pensar!   


Tosta Neto, 20/01/2015

Sobre o Autor:

Tosta Neto é Escritor, Historiador e Colunista no Outro Olhar .

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