quinta-feira, 28 de novembro de 2019

"ANACRONISMO HISTÓRICO: FASCISMO NO BRASIL CONTEMPORÂNEO" POR TOSTA NETO


Em 2018, com a vitória de Jair Bolsonaro, os Arautos do Apocalipse anunciaram o advento do fascismo no Brasil. A priori, é preciso definir o fascismo e situá-lo na história. Muitos “especialistas” em filosofia política propagam aos quatro ventos que o governo hodierno é fascista; curiosamente, alguns deles nem sabem o que é o fascismo, pois falam daquilo que ouvem. Às vezes, tenho a leve impressão que os especialistas supracitados são meros papagaios da cartilha da esquerda. Presentemente, não há evidências factíveis da implantação do regime fascista nas terras brasilis.
É mister situar o fascismo como um fenômeno específico da Itália nos anos 20 e 30, logo é um anacronismo histórico transferi-lo para o Brasil de 2019. Por ora, este que vos escreve, fará uma concisa explanação histórica sobre o fascismo. A palavra fascismo deriva do latim fascium. Na República Romana, fascium designava uma das insígnias do poder do Estado – 30 varas atadas por uma corda formando um cilindro que não se rompia. O fascismo foi fundado em 1919 por Benito Mussolini; inicialmente, um grupo paramilitar intitulado Fasci Italiani di Combatimento (Grupos Italianos de Combate), depois transformado em partido político. Com o crescimento do Partido Fascista no Parlamento nas eleições de 1921 e o sucesso da Marcha sobre Roma em 1922, o rei Vítor Emanuel III escolheu Benito Mussolini para o cargo de primeiro-ministro, chancelando a chegada dos fascistas ao poder.
Como em qualquer ditadura, os fascistas implantaram o unipartidarismo, isto é, só o Partido Fascista tinha legitimidade diante do Estado. Na prática, o Estado Italiano foi convertido como sustentáculo de poder do fascismo. Aqui no Brasil, em nenhum momento, o presidente flertou com a ideia de partido único. Apesar do aparelhamento estatal efetuado pelo PT quando ocupou a presidência e a insegurança jurídica oriunda dos desmandos e das interpretações circunstanciais do STF, os pilares do Estado Democrático de Direito estão rijos. Na Itália Fascista, o poder executivo destroçou os poderes legislativo e judiciário, status quo inexistente na contemporaneidade brasileira.
Durante a ditadura fascista, o Estado realizara intervenções na economia e em todos os setores da sociedade. Lembremos da máxima proferida pelo Duce: “Tudo no Estado, nada contra o Estado, e nada fora do Estado.” Com as medidas econômicas tomadas por Paulo Guedes, entre as quais, a implementação de privatizações, o Pacto Federativo e a liberdade econômica, presencia-se a diminuição do tamanho do Estado. Este conjunto de medidas alinhadas ao liberalismo encontra-se num polo diametralmente oposto ao paradigma econômico do fascismo. Ademais, não esqueçamos da semelhança entre o fascismo e o socialismo no campo econômico: intervencionismo estatal.
Não é novidade para ninguém que os partidos de esquerda defendem com voracidade o crescimento do Estado, o que ampliaria o aparelhamento da máquina estatal com a contratação de militantes e apaniguados, além da ânsia em devorar o erário, haja vista o Mensalão e o Petrolão, ícones de corrupção da era petista na presidência. Os governos Lula e Dilma legaram: crise econômica sem precedentes na história do Brasil, elevadas taxas de juros – que beneficiaram sobretudo os banqueiros – e altos índices de inflação e desemprego. Cinicamente, alguns esquerdistas (“experts” em economia e ciências políticas) querem colocar o nocivo legado em questão na conta da Lava-Jato, do Governo Temer e do Presidente Jair Bolsonaro.
Conforme os fatos políticos, econômicos e históricos, as profecias dos Arautos do Apocalipse não são exequíveis. Porém, enquanto Bolsonaro estiver no poder, a esquerda continuará a gritar que no Brasil está em curso um projeto de implantação do fascismo, por sinal, os esquerdistas são ótimos em gritaria. Vale enfatizar que é praxe da esquerda negar qualquer medida positiva efetuada pelos adversários políticos. No mundo egoísta da esquerda, apenas ela está habilitada a fazer o bem à humanidade. Como diria Luiz Felipe Pondé: “a esquerda se sente moralmente superior”. Enfim, a profecia do advento do fascismo no Brasil está sendo um retumbante fracasso.


(Tosta Neto, 28/11/2019)

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