segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

“O AMOR SEGUNDO O APÓSTOLO PAULO” POR TOSTA NETO


Resultado de imagem para apóstolo paulo amor

Inestimável Leitor, Paulo dispensa apresentações, mas este que vos escreve fará um breve relato sobre o renomado apóstolo. Filho de judeus da tribo de Benjamin, Paulo nasceu no ano 10 na cidade de Tarso da Cicília. Ainda jovem, partira para Jerusalém, tornando-se fariseu e exímio conhecedor da Lei Judaica. Antes da conversão ao cristianismo, notabilizou-se como um ferrenho perseguidor dos cristãos. Paulo foi um estudioso da filosofia, escrevia em grego e adquiriu o título de cidadão romano. O eminente apóstolo que ganhara notoriedade com as cartas enveredadas às comunidades cristãs, não conhecera Jesus pessoalmente e morrera por volta do ano 67.
Este singelo artigo fará uma reflexão do Amor tendo como horizonte a Primeira Carta aos Coríntios. A carta em questão foi escrita em Éfeso, provavelmente no ano 56. Corinto era uma rica cidade comercial: Paulo passara 18 meses lá e fundara uma comunidade cristã. Ouçamos o evangelista Lucas: “A seguir, Paulo deixou Atenas e foi para Corinto” (At 18:1); “Assim, Paulo ficou um ano e meio entre eles, ensinando a Palavra de Deus” (At 18:11). No capítulo 13 da carta supracitada, Paulo fizera uma das reflexões mais brilhantes sobre o Amor. Insofismavelmente, quando se busca narrações acerca do sentimento mais sublime e universal, o texto paulino é referência obrigatória.
Amor, do latim amore, o sentimento que leva o indivíduo a desejar o bem a outra pessoa ou a uma coisa. Paulo foi deveras feliz na análise do Amor, gerando empatia e afeto no leitor. Por mais que o indivíduo seja douto e conhecedor de várias áreas do saber, desprovido de Amor, o seu conhecimento será infértil. Nas entrelinhas, Paulo delineia que o Amor fortalece as potencialidades, isto é, quem conhece o Amor, maximiza as suas habilidades, superando aquele que não o conhece. Simplesmente, o ser humano que não tem Amor é oco, vazio, estéril, etc. O Amor está acima da ciência e de todos os enigmas. Escutemos o apóstolo das epístolas: “Ainda que eu tivesse o dom da profecia, o conhecimento de todos os mistérios e de toda a ciência; ainda que eu tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tivesse o amor, eu não seria nada” (1Cor 13:2). 
O Amor é altruísta, encontra-se no polo oposto a inveja; é um sentimento essencialmente puro, logo, não tem resquícios de energias negativas. A espiritualidade perpassa pela conexão ao Amor, por conseguinte, só seremos afetados por sentimentos de magnanimidade e altruísmo se absorvermos o Amor, cujo Paulo o posiciona como um dos elos entre Deus e a humanidade. O Amor é prestimoso e inabalável, fonte de toda a alteridade: “O amor é paciente, o amor é prestativo; não é invejoso, não se ostenta, não se incha de orgulho” (1Cor 13:4). Afetado pelo Amor, o indivíduo não temerá o mal, pois tudo suporta, além de não criar expectativas alheias; o Amor o leva à plenitude espiritual, sem colocar em outrem a causa da felicidade. A relação entre o ser humano e o Amor é intrínseca, contida no âmago, tendo como consequência a construção duma vida serena e feliz.
Explicitamente, o Amor é imprescindível na tradição paulina, galgando até mesmo a fé. Paulo é enfático ao afirmar que todos os dons dependem do Amor. Ademais, o Amor é universal, transcende o tempo e o espaço. Tudo passa: a energia vital dissipará, as flores murcharão, as religiões sucumbirão, as nações não resistirão à força inclemente do tempo, todavia, o amor jamais passará. O Amor é ad eternum, porque é oriundo diretamente de Jesus Cristo, que é o próprio Deus: “Se vocês me conhecem, conhecerão também o meu Pai. Desde agora vocês o conhecem e já o viram” (Jo 14:7). Por Amor à humanidade, o Filho Unigênito foi sacrificado para libertá-la das Forças do Mal e conduzi-la às veredas do bem e da salvação. Encerremos com a esplêndida síntese de São Paulo sobre o maior e melhor de todos os sentimentos: “Agora, portanto, permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e o amor. A maior delas, porém, é o amor” (1Cor 13:13).


(Tosta Neto, 27/01/2020)




0 comentários:

CURTA!