segunda-feira, 6 de abril de 2020

CORONAVÍRUS: SINAL DO FIM DOS TEMPOS? (TOSTA NETO)

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O Coronavírus literalmente parou o mundo. Precisaremos dum distanciamento temporal expressivo para mensurar o real estrago provocado pela pandemia supracitada. O fato é que o mundo não será mais o mesmo, cujos alguns valores e paradigmas serão repensados. Não percamos tempo em hipóteses no tocante à indefinição que incide no porvir e analisemos a temática em questão. Desde a Segunda Guerra Mundial até os tempos hodiernos, a humanidade passa por seu período mais difícil, tão difícil que algumas pessoas já especulam sobre o advento do fim dos tempos ou o retorno do Messias.
Epidemias não são raras. A história está repleta de exemplos, apontando que a proliferação de doenças é algo corriqueiro. Na Idade Média, precisamente no século XIV, a Peste Negra (tipo de peste bubônica transmitida por pulgas) dizimou um terço da população europeia. Os conhecimentos médicos da época eram ineficazes para combater a epidemia; a ira de Deus diante do pecado humano fora a explicação mais difundida para justificar tal doença. Em Mucugê (Chapada Diamantina), por volta de 1855, principiara a construção do Cemitério Santa Izabel, mais conhecido como Cemitério Bizantino, após um surto de cólera atingir a região. Com o decreto imperial que proibia o enterro dos mortos nas igrejas, o icônico cemitério foi erguido no sopé da montanha, num local bem afastado da zona urbana. No Rio de Janeiro, no início do século XX, houve um surto de varíola, logo, o presidente Rodrigues Alves enviou um projeto de lei ao Congresso Nacional propondo a obrigatoriedade da vacinação contra a varíola, o que viera a ser uma das causas da Revolta da Vacina (1904). No século XXI, houve o registro de outras epidemias: Gripe Aviária, SARS e H1N1.
É notório que muitas pessoas estão apavoradas com o Coronavírus. Este temor é compreensível, pois o vírus tem um alto poder de contágio, além de ser obviamente um inimigo invisível, por conseguinte suscita uma guerra árdua para combatê-lo. No campo de batalha é terrível enfrentar um oponente oculto, porquanto não se sabe de onde virá o ataque, gerando uma certa histeria nos combatentes. No front, quando o inimigo é facilmente identificável, o general terá mais informações para um planejamento eficiente da “arte da guerra”. O Covid-19, como qualquer outro vírus epidêmico, transmuta-se na personificação do diabo. Como ocorrera na Idade Média, há interpretações que conjecturam que o Coronavírus é uma consequência da ira divina. Eis a questão: o homem contemporâneo não é tão diferente do homem medieval.
As epidemias atingem o inconsciente coletivo, este último, permeado por imagens apocalípticas. A pandemia do Covid-19 aflorou ainda mais no imaginário popular a iminência do fim dos tempos. O Coronavírus é visto como um presságio que sinaliza que a aniquilação do mundo se aproxima. Na luta contra um “demônio” invisível, a fé é guarnecida, portanto, apenas a Providência Divina tem o poder para livrar o mundo desta peste. O Apocalipse está em voga. Quiçá o Coronavírus seja uma das pragas dos sete anjos apocalípticos. Ouçamos a Palavra: “E vi outro grande e admirável sinal no céu: sete anjos, que tinham as sete últimas pragas; porque nelas é consumada a ira de Deus” (Ap 5:1).
Incontestavelmente, a tragicidade do Coronavírus provocou um tsunami no inconsciente coletivo, desde o temor desenfreado perante um carrasco invisível até reflexões sobre a fragilidade da vida. A pandemia mostrou também, em detrimento do avanço exacerbado da medicina nos derradeiros anos, o quão a humanidade ainda está desamparada. Apesar do dom da racionalidade e de toda capacidade de produção de riquezas materiais, os seres humanos ficaram de joelhos defronte a um ser biológico muito inferior. A humanidade, pelo menos presentemente, percebe que não tem a força para controlar tudo. O antropocentrismo está tonto e navegando de forma desnorteada. O Coronavírus só reforça a tese o quanto a vida é tênue. Oxalá que o mundo saia mais forte desta pandemia, haja vista o poder de catarse que a tragédia traz consigo. Enfim, que saiamos fortalecidos e purificados desta pandemia que assola a humanidade.


(Tosta Neto, 06/04/2020) 

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