terça-feira, 8 de dezembro de 2020

POR QUE A IDEOLOGIA DE ESQUERDA É TÃO SEDUTORA? (TOSTA NETO)

Antes da explanação temática, precisa-se delimitar o horizonte teórico do termo esquerda. Prezado Leitor, não efetuarei uma reflexão sobre tal conceito, pois não é o objetivo deste artigo. Historicamente, a divisão partidária entre direita e esquerda remete à Revolução Francesa. Entendamos a esquerda como uma linha ideológico-partidária ligada ao pensamento socialista e progressista, cujo marxismo é o principal alicerce. De forma inequívoca, a maioria das pessoas, sobretudo os mais jovens, tendem a ter uma simpatia natural pelos preceitos da Ideologia de Esquerda. O indivíduo nem precisa ler O Manifesto Comunista de Karl Marx e Friedrich Engels para se intitular como militante. Ademais, os mecanismos de influência do pensamento, haja vista o meio acadêmico e a grande imprensa, têm o predomínio da Ideologia de Esquerda. Aqui no Brasil, até pouco tempo, era um sacrilégio contestar o status quo do pensamento esquerdista; o indivíduo tinha pejo e constrangimento ao flertar com a direita.

O adepto da esquerda se sente ungido por um senso de superioridade moral, ou seja, ele sempre tem as melhores intenções na defesa de todos os oprimidos. Apenas o esquerdista está apto para lutar em prol dos anseios das minorias e dos mais pobres, além de ter uma visão altaneira e libertária acerca do curso da história humana. O militante em questão também traz consigo uma moralidade circunstancial: se um membro do clã ideológico tiver uma atitude reprovável, suscita-se um silêncio seletivo. Eis o modus operandi da esquerda: não importa o que é falado e praticado, mas quem falou e praticou. Para o esquerdista tudo é permitido: mentir, esbravejar, agredir, cuspir, xingar etc. O senso de superioridade moral chancela sua verborreia e seus atos, afinal, existe um sentido nobre que legitima tudo: o “bem ao próximo” e a “luta pela causa coletiva”.

Categoricamente, o esquerdista ostenta uma aura salvacionista, porquanto parte do pressuposto que o mundo só será salvo quando sua ideologia for implantada. O salvacionismo supracitado baseia-se numa teoria sedutora e simplória. Sem esforços hermenêuticos, o noviço já domina a miscelânea de jargões esquerdistas: “o burguês opressor”, “a elite machista, branca e racista”, “o imperialismo americano”, “a mídia golpista”, “Lula livre”, entre outros. A intelligentsia repete incessantemente esses clichês até serem absorvidos pelos asseclas. O recém-militante aprende a ideologia por osmose, relegando uma análise mais robusta e meticulosa. Não é preciso um longo itinerário existencial para aderir ao pensamento de esquerda. Quase que num passe de mágica, o fulano se autodenomina militante esquerdista; não é à toa, que os mais jovens têm uma predisposição maior em abraçar a causa socialista.

Se não bastasse o senso de superioridade moral e o dom da salvação, o esquerdista se acha mais inteligente que os meros mortais que ainda não aderiram os mandamentos da bolha ideológica. Além disso, não há a necessidade de um estudo criterioso para assimilar o paradigma esquerdista, basta repetir mecanicamente os bordões vomitados pela intelligentsia. A leitura dos clássicos do pensamento socialista não tem a mínima relevância. É válido enfatizar que, quando um locutário critica um governo alinhado ao socialismo ou exalta o progresso tecnológico potencializado pela Revolução Industrial, ouve a previsível resposta: “você é um alienado; vá estudar história”. O esquerdista se coloca como supremo detentor da intelectualidade: só ele está certo e os demais, todos errados. Os ensinamentos da cartilha esquerdista estão acima de Deus, da Pátria e da Família e jamais devem ser retrucados, por conseguinte, é uma profanação fazê-lo.

O fato é que o esquerdista tem um apego exacerbado à ideologia e não pondera a retumbante discrepância entre teoria e prática. É notório que na aplicação de um sistema teórico no campo da práxis, há deturpações e adaptações. Curiosamente, Marx e Engels, na obra A Ideologia Alemã, fizeram uma crítica devastadora à ideologia, considerando-a uma falsa consciência: “desse modo, os fantasmas que se formam nos cérebros humanos são, necessariamente, sublimações de seu processo de vida material, que é verificável empiricamente e fundado em premissas materiais. Portanto, a moralidade, a religião, a metafísica, assim como todo o resto das ideologias e suas formas correspondentes de consciência, não conservam mais o seu semblante de independência”.

Indubitavelmente, o marxismo critica a ideologia, não obstante, os esquerdistas se jactam em defender um sistema ideológico que revolucionará a história. Por sinal, a história nos mostra que algumas experiências socialistas no século XX, converteram-se em ditaduras genocidas, entre as quais, a Rússia de Stalin, a China de Mao Tsé-Tung e o Camboja de Pol Pot. Apesar dos pesares, é conveniente ao ideário de esquerda o esquecimento desses regimes totalitários (mais um exemplo de silêncio seletivo). Enfim, a máscara humanista e circunstancial da Ideologia de Esquerda continuará seduzindo a mentalidade de certas pessoas que almejam atingir o status de heróis que salvarão a humanidade de todo o terror engendrado pelo “malvado” capitalismo.

(Tosta Neto, 08/12/2020)

 

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