terça-feira, 12 de janeiro de 2021

PAIXÃO ADOLESCENTE (TOSTA NETO)

Inverno. Neblina. Silêncio quebrado pelo vento. Alta madrugada. Enquanto isso, num rincão da Bahia...

“Não consigo dormir. Estou tão triste e carente. Ainda não superei o término do namoro. É compreensível, afinal, só tem dois meses que Mirela terminou comigo. Vou distrair um pouco nas redes sociais. Aproveitarei e apagarei as conversas antigas do Facebook. E esta mensagem aqui: ainda não respondi. Nossa! Faz três anos que foi enviada. Eu deveria ter respondido, mas infelizmente não vi. Antes tarde do que nunca.”

# Olá, Roberta. (“Ela já visualizou e está digitando.”)

# Olá, Fabinho. Quanto tempo?!

# Realmente. Já tem uns dez anos que não te vejo.

# Vim para Salvador cursar Odontologia e estabeleci vínculos profissionais por aqui.

# Neste longo intervalo, não tivemos contato presencial nem virtual.

# Sim.

# Não imaginei que você responderia a mensagem em plena madrugada.

# Ultimamente, venho tendo insônia.

# Eu também, Roberta.

# Problemas pessoais estão afetando a minha paz espiritual.

# Somos dois. (Emojis de tristeza)

# Fabinho, o que aconteceu?

# Término de namoro.

# Lamento muito. Você é um rapaz bonito! Logo, logo, encontrará alguém.

# Obrigado! (Emojis de vergonha)

# E você? Trabalhando? Estudando?

# Como você sabe muito bem, desde a época do Ensino Médio, eu não levava muito jeito para os estudos. Fiz um curso técnico de eletrônica e trabalho como autônomo.

# Claro que lembro! Fomos colegas de sala nos três anos do Ensino Médio.

# Exato.

# Saudades daquela época. (Emojis de coração)

# Eu daria tudo para revivê-la. Como falam por aí: “eu era feliz e não sabia”.

# Eu também. Infelizmente, não podemos voltar no tempo. (Emojis de choro)

# O tempo é cruel! Passa sem piedade.

# Vivíamos sem preocupações. Que tempo bom! Eu adorava os seminários. Você “matava” aula para jogar futebol.

# Bem lembrado. (Emojis de coração e bola de futebol)

# Havia muita paquera.

# A melhor parte. (Emojis de risos)

# Nós paqueramos muito.

# Sim! Porém, no 3º ano, você passou a namorar George, e eu “fui jogado para o escanteio”.

# Fabinho, nem sei o que te dizer. (Emojis de tristeza)

# Fique tranquila. Já passou. Éramos apenas adolescentes.

# Eu me apaixonei por ele. Namoramos e logo depois casamos.

# Eu acompanhava tudo. Via as fotos de vocês no Facebook. Passou muito tempo, mas não te esqueci.

# Estou aqui sem palavras.

# Pois é. Vou ficando por aqui. Depois conversamos mais.

# Não vá! Fique um pouco mais.

# Roberta, já são quatro da manhã.

# Está bem. Você poderia me passar o teu WhatsApp?

# Claro. Amanhã, envio para você.

# Joia.

# Tenha uma ótima noite! Foi um imenso prazer teclar contigo.

# Boa noite! O prazer foi todo meu. Até! (Emojis de beijos)

# Até! (Emojis de beijos)

Antes de dormir, Fabinho mergulhou no mar das reflexões...

“A conversa foi agradável. Em questão de pouco tempo, ela solicitou o meu WhatsApp. Roberta foi a grande paixão da minha adolescência. Não namoramos sério, porém tivemos muitos e muitos encontros. Jamais a esqueci, afinal ela me batizou nos prazeres do sexo. Eu gostava muito dela, mas não existia uma recíproca sentimental. A atração física entre nós era bastante forte. A nossa química na cama era surreal. Creio que ela me via como um objeto sexual; eu não me importava com tal condição. O prazer que ela me proporcionava superava tudo. Toda vez que falava de namoro sério, Roberta se esquivava, porém quando marcávamos para transar, ela não colocava dificuldade. Estas lembranças estão muito vivas na minha memória; até parece que foi ontem. Na cama, Roberta era uma leoa. Eu era dominado por completo. Após um tempinho, equilibrei as forças. Ela ficava louca quando eu a colocava numa posição mais submissa. Tantas e tantas vezes sonhei com Roberta consumindo o meu corpo. As transas que tive com outras mulheres foram marcadas por aparições de Roberta na minha mente...”

Os raios solares das dez da manhã rompem o vidro da janela e atingem o semblante de Fabinho, todavia, não foram capazes de acordá-lo. Tal sono só foi interrompido pelo despertador do celular. Antes de levantar, sem delongas, enviou o número do WhatsApp para Roberta. Tomou banho, almoçou e foi atender os clientes. Fabinho morava sozinho. A casa de seus pais localizava-se na mesma rua. Nos finais de semana, jogava futebol e pescava no sítio do avô paterno. Subsequente a labuta vespertina, saboreou uma cerveja no Bar do Osmar. Chegando em casa, consultou as notificações do celular: “número desconhecido no meu WhatsApp; será que é Roberta? – Movimento rápido nos dedos e ansiedade transparecendo no olhar – É sim! Vou aproveitar que ela está on-line e responderei de imediato:

# Olá, Roberta! Só vi tua mensagem agora.

# Está bem. Sem problema.

# Como foi o teu dia?

# Muito trabalho. E o teu?

# Tranquilo.

# Joia.

# Vou aqui tomar banho.

# Nem me chama.

# ?????? (Emojis pensativos)

# Traduzindo: não vai me convidar para tomar banho contigo? (Emojis de diabinho)

# Venha. Estou te esperando. Será maravilhoso.

# Irei no final de semana. Pode ser?

# Você está falando sério?

# Claro que sim! Chegarei no sábado, às 14h00.

# Roberta, onde iremos nos ver?

# Na hora, decidimos. Passo na tua casa para te pegar.

# Combinado! Eu moro na rua Nelson Rodrigues.

# Qual é o número da tua casa?

# 7.

# Vá. Sobre o banho: deixemos para o sábado.

# Está bem. Até mais. Beijos.

# Beijos molhados e calorosos. (Emojis de beijo e fogo)

Temperatura invernal. Chuva fina e ininterrupta. Reflexões fluem durante o banho: “será que ela vem mesmo? Estou aqui incrédulo. Ela tem muitas ocupações em Salvador. Se ela vier, ficaremos apenas no bate-papo? Creio que ela não venha”.

A semana passou relativamente rápido. Na sexta à noite, Roberta entrou em contato com Fabinho:

# Boa noite, Fabinho! Tudo certo para amanhã.

# Boa noite, Roberta! Combinado.

O mundo mental de Fabinho é dominado por uma mistura de dúvida e ansiedade: “continuo acreditando que Roberta não virá. Por outro lado, se ela não viesse, não confirmaria comigo. Não vejo a hora de rever a minha maior paixão adolescente. Só de pensar, meu coração fica acelerado. Estou muito ansioso. A noite vai demorar de passar. Preciso pensar em outras coisas: futebol, trabalho, pescaria... Meu Deus, ajude-me...”.

Desta vez, os raios solares foram capazes de interromper o sono de Fabinho: “vou consultar o celular. Nossa! Já são dez da manhã. Mensagem de Roberta: ‘#Bom dia! Já estou saindo de Salvador.’ Contrariando a lógica da ansiedade, eu dormi bastante. Obrigado, Meu Deus! Vou fazer umas coisas aqui para tentar acelerar o tempo”.

Os afazeres foram findados. Fabinho andava para lá e para cá. Frequentemente, observava o relógio de parede da cozinha. São 13h30. Pensou: “esses 30 minutos serão eternos”. A cada segundo consumado, a ansiedade aumentava e o coração batia mais forte. Às 14h07, três toques na porta:

– Fabinho! Fabinho!

– Olá, Roberta! Entre. Entre. Fique à vontade.

– Obrigada.

– Nem acredito que você está aqui.

O diálogo fluiu até ser desvanecido pela corporificação das memórias da adolescência.

– Nossa! Você ainda é aquela Roberta de antigamente, porém melhorada pelo tempo. Você continua sendo aquela leoa na cama.

– O tempo passou, mas a nossa química sexual continua fortíssima. Você me deixa sem fôlego. Quando estávamos transando, doces e quentes lembranças vieram na minha mente. Há tempos, não tenho uma transa tão gostosa.

– Roberta, vamos resumir tudo neste encontro?

– Claro que não! Virei aqui outras vezes.

– E George?

– Não entremos nessa questão de moralidade. Já que você trouxe à tona, precisarei esclarecer.

– Certo.

– Meu casamento está em crise. George caiu na zona de conforto. Não me surpreende mais em nada. Tudo muito previsível. Um marasmo total! Estou cansada desta rotina entediante. Quero viver! Quero sentir o sangue quente do prazer correndo nas minhas veias. Quero sentir meu coração palpitar antes e durante o sexo. Quero sentir o suor frio após o gozo.

– Estou aqui para te satisfazer. Serei teu escravo sexual.

– Ótimo! Continuarei sendo a tua leoa na cama.

– Que maravilha!

– Teremos muitas aventuras.

– Roberta, estou feliz, afinal, a nossa paixão adolescente renasceu.

– Gostei do termo: “paixão adolescente”. Não percamos tempo. Beije-me! Beije-me! Ainda não estou saciada...

 

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