quarta-feira, 26 de maio de 2021

Em 25 de maio de 2005, uma sessão conjunta do Congresso Nacional instaurou a Comissão Mista Parlamentar de Inquérito concebida para devassar para uma rede de pagamento de propinas localizada nas catacumbas dos Correios. Num vídeo gravado clandestinamente, divulgado dias antes, um diretor da estatal, Maurício Marinho, aparecera embolsando um punhado de cédulas enquanto descrevia  a dois empresários o funcionamento da patifaria supostamente gerida pelo deputado federal Roberto Jefferson.

Presidente do PTB e aliado do governo Lula, Jefferson Irritou-se com o apoio de parlamentares do PT à criação da CPI, e consumou em 6 de junho o prometido contragolpe. Numa entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, revelou que os parceiros da base governista recebiam mesadas patrocinadas pelo PT. Foi assim que a CPI dos Correios entrou para a história rebatizada de CPI do Mensalão — o maior caso de corrupção da primeira década do século.

No momento, a CPI da Covid tem feito barulho concentrada nas denúncias de pecados e irregularidades atribuídos ao governo Bolsonaro. Minoritários na CPI, aliados do Planalto resolveram mudar o alvo do bombardeio — e vêm ampliando rapidamente o acervo de crimes cometidos por governadores e prefeitos contemplados com gordas verbas destinadas ao combate à pandemia de coronavírus.

O plano é tornar inevitável a investigação de bandalheiras bilionárias que envolvem desvios de dinheiro destinado à saúde, gastanças com hospitais de emergência que nem foram inaugurados e compras superfaturadas sem licitação. Nessa hipótese, o que Renan Calheiros chama de CPI da Covid se transformará na CPI do Covidão. E o país ainda convalescendo do Mensalão e do Petrolão será confrontado com o terceiro grande escândalo do terceiro milênio.

*Augusto Nunes, R7

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