quarta-feira, 2 de novembro de 2022

A NOVA ORDEM MUNDIAL (TOSTA NETO)

Ao longo da história, o mundo testemunhara um protagonismo imperial cunhado pela alternância de atores, entre os quais, o Império Romano, o Império Mongol de Gengis Khan, o Império Turco-Otomano, o Sacro Império Romano-Germânico, a França Napoleônica e o Império Britânico. No século XX, as guerras mundiais viabilizaram a ascensão dos Estados Unidos e da União Soviética, superpotências que compuseram a Ordem Bipolar durante a Guerra Fria. Após a derrocada da URSS em 1991, emergira a Ordem Multipolar, com a proeminência econômica, política e cultural dos Estados Unidos, mas no século XXI, tal formatação foi reconfigurada.

Nos tempos hodiernos, a China ocupa o status de 2ª economia e sinaliza uma perspectiva promissora de assumir o 1º lugar nas próximas décadas. Com as reformas econômicas implementadas por Deng Xiaoping, o Dragão Chinês passou a ter condições de alçar voos mais altaneiros no mercado global. Este país asiático apresenta o Capitalismo de Estado, cuja economia segue relativamente as leis do mercado, em contrapartida, a política é controlada pelo Partido Comunista Chinês, sob a liderança absoluta de Xi Jinping, que foi premiado recentemente com um inédito terceiro mandato. Sem leis trabalhistas e composta por uma mão de obra qualificada e barata, o custo de produção na China é mais baixo, fator que atrai filiais de inúmeras multinacionais. Ademais, o Partido Comunista Chinês desvaloriza a moeda nacional para que o produto chinês seja mais competitivo no mercado global.

Prezado Leitor, este que vos escreve, é obrigado a citar outro ator importante na geopolítica: a Rússia. Vladimir Putin assumiu o poder de fato em 2000 e encontrou uma Rússia esfacelada no âmbito econômico, ainda sob os efeitos negativos da queda do bloco soviético. Com a economia em frangalhos, por consequência, as forças armadas estavam defasadas. Enquanto presidente, Putin teve como preocupação primordial a recuperação econômica e adotou algumas medidas: cooptação do apoio de grandes oligarcas, eliminação de opositores e fortalecimento de estatais, veja a Gazprom. Neste interregno, a Rússia se reergueu economicamente, possibilitando investimentos maciços no setor bélico. Munido de poder econômico e militar, Putin se impôs na geopolítica mundial, haja vista, a anexação da Crimeia em 2014 e a invasão da Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022.

Presentemente, para enfrentar os Estados Unidos e reequilibrar o tabuleiro geopolítico, a Rússia se associou à China. O poderio bélico russo e a pujança econômica chinesa são adversários indigestos para os estadunidenses. Para impor respeito à associação supracitada, o Ocidente precisa de líderes fortes para enfrentá-la. Com o advento de Joe Biden à Casa Branca em 2021, surgiu um vazio de poder no mundo ocidental, pois tal presidente não demonstra a devida força para intimidar a parceria russo-chinesa. Para título de exemplo, na época de Donald Trump, Barack Obama e George W. Bush, a mídia brasileira trazia matérias diárias sobre o presidente dos Estados Unidos, todavia, não percebemos tal fenômeno em relação ao atual chefe da maior potência econômica e militar do planeta. Biden é um governante decrépito e sem impacto midiático, logo, esta condição talvez tenha incentivado Putin na invasão da Ucrânia. Sem um grande líder no Ocidente, Xi Jinping e Putin continuarão “dando as cartas” na geopolítica mundial.

É inequívoca a queda do Ocidente. A Europa está em decadência. Os Estados Unidos não têm fôlego para bloquear o voo do Dragão Chinês. Agora é a vez do Oriente, da Ásia, da China etc. O eixo ocidental está obcecado cegamente por pautas progressistas, principalmente, o aquecimento global. A Ásia, por sua vez, guarnece a economia, a tecnologia e o expansionismo cultural, adquirindo espaços significativos no Ocidente: “inundação” de produtos chineses importados, sucesso do K-pop, juventude a consumir de forma intensa mangás e animes, entre outros. Afirmamos com convicção: a Nova Ordem Mundial é uma realidade; a propósito, Putin já fala abertamente sobre a ordem em questão, protagonizada por Rússia e China. Nobre Leitor, seja bem-vindo à Nova Ordem Mundial!

(Tosta Neto, 02/11/2022)

 

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