sexta-feira, 5 de setembro de 2025

TWITTER FILES: MACRON E ONGS ATUAVAM PARA CENSURA INDIRETA

Jornalistas franceses publicaram investigação sobre o governo

De acordo com documentos do Twitter Files divulgados nesta semana, o presidente da França, Emmanuel Macron, teria articulado em 2020 um sistema de “censura indireta” para pressionar o Twitter (atual X) a moderar conteúdos considerados ofensivos pelo governo.

A informação foi publicada pelos jornalistas franceses Pascal Clérotte e Thomas Fazi, e, segundo eles, o plano incluía processos judiciais movidos por ONGs financiadas pelo Estado e agências governamentais contra a plataforma. As ações acusavam a rede social de falhar no combate ao discurso de ódio.

Emails internos mostram que Macron chegou a pedir várias vezes o número de telefone do então CEO Jack Dorsey para discutir regras eleitorais. A equipe do Twitter recusou, alegando que o empresário não usava celular pessoal e só poderia ser contatado por meio de sua equipe.

Na mesma época, quatro ONGs ligadas ao governo francês entraram com ações contra a empresa: SOS Racismo, SOS Homofobia, União de Estudantes Judeus da França e J’accuse. A ideia era pressionar a mídia e a opinião pública para retratar o Twitter como um risco.

Os jornalistas afirmam que Macron tentou usar as entidades como “braço de execução” do governo, buscando forçar práticas de moderação além da lei. Segundo eles, isso fazia parte de um esforço coordenado para ampliar a influência estatal sobre as plataformas digitais.

O episódio ocorreu no período de tramitação da chamada Lei Avia, que tratava de combate ao ódio na internet. O texto foi aprovado pelo Parlamento, mas teve os principais artigos barrados pela Justiça.

As negociações entre o Twitter e as ONGs quase resultaram em acordo, mas não avançaram porque as entidades não retiraram os processos. A pressão seguiu até em casos isolados, como o da modelo April Benayoum, vítima de ataques antissemitas após o Miss França 2021.

Para Clérotte e Fazi, os documentos mostram como o governo francês “promoveu a censura governamental por procuração de ONGs”, evidenciando o papel de Macron na tentativa de controlar narrativas nas redes sociais.

(Fonte: Pleno News)

 

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