quarta-feira, 1 de outubro de 2025

QUEDA NO PREÇO DO CACAU PREOCUPA PRODUTORES NA BAHIA


Após o recorde histórico do preço do cacau no fim de 2024, que trouxe esperança de recuperação para agricultores baianos, o setor enfrenta agora forte retração nos valores pagos pela arroba (15 kg). O desânimo é grande entre produtores que planejavam investir em modernização de lavouras e melhorias na produção.

O impacto é agravado pela aplicação de tarifas de 50% pelos Estados Unidos sobre a manteiga de cacau — principal produto exportado ao país e responsável por cerca de 20% das vendas externas brasileiras. A indústria estima uma perda de até R$ 180 milhões até o fim de 2025.

Segundo a Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), além das barreiras comerciais, há uma queda global na demanda por chocolate, consequência do alto custo da matéria-prima. Fábricas no sul da Bahia já operam com 12% de ociosidade e esse índice pode chegar a 18% ainda este ano.

Para pequenos agricultores, o cenário interrompe o ciclo de reconstrução iniciado após as décadas marcadas pela praga da vassoura-de-bruxa, que devastou a produção regional. “Os pequenos são os que mais trabalham, mas o retorno nem sempre é justo”, lamenta a produtora Josenilda Silva, de Jitaúna, que precisou adiar investimentos planejados.

Com o Brasil respondendo por apenas 4% da produção mundial de cacau, especialistas destacam que o país segue vulnerável à volatilidade do mercado internacional e defendem maior valorização do produto nacional para evitar que a crise se agrave e comprometa a renda de milhares de famílias no sul da Bahia.

Com informações da BBC News — David Brito, para o Portal Outro Olhar.

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