sábado, 10 de janeiro de 2026

A TRANSFIGURAÇÃO DE JESUS CRISTO

Ó Senhor do Universo, Criador do céu e da terra, de antemão, peço-Vos que me ilumine para que eu consiga demonstrar aos leitores um pouco da essência da transfiguração de Jesus Cristo. Como Vós sabeis, tal manifestação da glória do Vosso Filho é uma das passagens que mais me afetam nas Sagradas Escrituras; outrora, quando meu âmago estava preso aos grilhões do materialismo, li sobre o fenômeno da transfiguração, porém eu não tinha discernimento para apreender a grandiosidade e a transcendência subjacente. Prezado Leitor, confesso-te que não estou devidamente amparado pela graça, em contrapartida, o tempo me concedeu uma exígua perspicácia para compreender que a existência não se restringe ao plano material. Desejo tão somente que a Luz do Espírito Santo me guie em cada palavra que irá compor este singelo texto. A priori, para efeito didático, abordaremos a transfiguração conforme os Evangelhos Sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas).

Mateus narra que Jesus levou Pedro e os irmãos Tiago e João para o alto de uma montanha: “E ali foi transfigurado diante deles. Seu rosto resplandeceu como o sol e as suas vestes tornaram-se alvas como a luz. E eis que lhes apareceram Moisés e Elias conversando com ele” (Mt 17,2-3). Notadamente, os discípulos testemunharam a glória do Cristo: eis a suprema hierofania, cuja Luz advinda do Pai manifestou-se no Filho. O evangelista também narra o diálogo entre Jesus, Moisés e Elias, o qual, não podia ser compreendido pelos apóstolos. A aparição de Moisés representa a Lei: Jesus não veio para aboli-la, outrossim, para aprimorá-la. Sobre Elias, ícone dos profetas, depreende-se a consumação do advento do Messias na pessoa de Jesus Cristo. Seguidamente, a Voz de Deus, saindo das nuvens, clamou: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo, ouvi-o!”. Perante esta manifestação, a humanidade representada em João, Tiago e Pedro, ficou estupefata, mostrando o quão somos pequenos quando confrontados com o Poder de Deus, todavia jamais estaremos condenados ao abandono, porque o Filho de Davi nos consola: “Jesus chegou perto deles e, tocando-os, disse: ‘Levantai-vos e não tenhais medo’. Erguendo os olhos, não viram ninguém: Jesus estava sozinho (Mt 17,7-8).

Marcos salienta a alvura das vestes de Cristo manifestada na transfiguração, condição que denota a pureza do Cordeiro de Deus. Uma vez mais, ouçamos a Bíblia Sagrada: “Suas vestes tornaram-se resplandecentes, extremamente brancas, de alvura tal como nenhum lavadeiro na terra as poderia alvejar” (Mc 9,3). Finalizada a transfiguração, após descerem da montanha, Jesus ordenou a Pedro, Tiago e João que tal fato só deveria ser revelado subsequente a sua ressurreição. Ademais, Jesus falou aos apóstolos sobre a Paixão, configurando como o segundo anúncio de sua morte no Evangelho de Marcos. Categoricamente, em vários versículos dos Evangelhos, o Cordeiro de Deus prepara o espírito dos discípulos acerca da iminência da via-crúcis. Caro Irmão de fé, o anúncio supracitado reforça a intencionalidade de Marcos em apresentar a glória de Jesus Cristo, pois os eventos em questão refletem a própria divindade inerente no Verbo Encarnado.

Lucas traz no texto sagrado a denominação de Jesus como o Eleito, portanto, suscita-se a prerrogativa messiânica de Cristo, pois Deus o elegeu como Salvador que anunciará o seu Reino para a humanidade. Citemos o evangelista: “Da nuvem, porém, veio uma voz, dizendo: ‘Este é o meu Filho, o Eleito; ouvi-o’” (Lc 9,35). Ilustríssimo Leitor, consoante nosso modesto estudo prévio, os Evangelhos Sinóticos têm episódios em comum sobre a transfiguração de Jesus Cristo, contudo, tentamos ao longo desta reflexão evidenciar passagens peculiares de cada evangelho. Enfim, Mateus, Marcos e Lucas estão em plena convergência no anseio de desvelar a transfiguração como um fenômeno que explicita o esplendor divino de Jesus Cristo, trazendo nas entrelinhas o mistério da Trindade. A transfiguração de Jesus Cristo é a reafirmação da unicidade entre Pai, Filho e Espírito Santo, isto é, o Uno que se revela no Trino e o Trino que se conflui no Uno.

(Tosta Neto, 10/01/2026)

 

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