A trajetória começa em 2019, quando o empresário Daniel Vorcaro assumiu o controle do então Banco Máxima, rebatizado de Master. O banco cresceu rapidamente apoiado na emissão de CDBs garantidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), enquanto utilizava operações artificiais para inflar ativos e manter liquidez.
O Banco Central identificou dois esquemas principais: a venda recorrente de carteiras de crédito ao Banco de Brasília (BRB) e a concessão de empréstimos fictícios que alimentavam fundos ligados à gestora Reag, investigada por suspeitas de conexão com o crime organizado. O dinheiro circulava por estruturas complexas até retornar ao sistema financeiro, fechando o ciclo fraudulento.
Especialistas apontam que o esquema prosperou devido à falta de coordenação entre o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A fragilidade estrutural da CVM, agravada por indicações políticas, é vista como elemento-chave para a demora na contenção das irregularidades.
O caso ganhou novo contorno com a indicação de Otto Lobo para a presidência da CVM, alvo de críticas por decisões passadas consideradas favoráveis ao Banco Master. O Ministério Público junto ao TCU chegou a alertar o Senado sobre possíveis conflitos de interesse antes da sabatina.
Após a liquidação do banco pelo Banco Central, em novembro, e a prisão de Vorcaro na Operação Compliance Zero, o processo migrou para o STF, onde decisões do ministro Dias Toffoli — como a tentativa de promover acareação ainda na fase investigativa — geraram controvérsia e reforçaram suspeitas de tratamento diferenciado.
Paralelamente, o TCU passou a pressionar o Banco Central, chegando a discutir a reversão da liquidação do banco. A reação do mercado e do próprio BC levou a um recuo. Um acordo posterior limitou a inspeção do tribunal a documentos administrativos, preservando sigilos sensíveis. Análise preliminar do TCU indicou que o BC agiu corretamente.
Críticos avaliam que a atuação do TCU representou uma intimidação institucional à autoridade monetária, desviando o foco do problema central: o uso de recursos públicos. Ao menos 18 fundos de previdência estaduais e municipais investiram em papéis do Banco Master, expondo dinheiro de contribuintes a alto risco. Só o Rioprevidência aplicou cerca de R$ 970 milhões.
O caso alimenta suspeitas de proteção institucional envolvendo Executivo, Legislativo e Judiciário. Especialistas questionam o sigilo imposto pelo STF e defendem a instalação de uma CPI do Banco Master para esclarecer responsabilidades e evitar a repetição do episódio. O requerimento já reúne assinaturas suficientes, mas sua efetivação depende do presidente da Câmara após o recesso.
Para analistas, a dimensão do escândalo — que envolve dinheiro público, fundos previdenciários e falhas sistêmicas de fiscalização — torna inevitável a pressão por mais transparência e responsabilização.
Com informações da Gazeta do Povo
POR DAVID BRITO – OUTRO OLHAR

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