terça-feira, 7 de julho de 2026

ELIMINAÇÃO DO BRASIL NA COPA DEVE AFETAR BARES, RESTAURANTES E COMÉRCIO TEMÁTICO NA BAHIA


O fim da participação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 não representa apenas uma frustração esportiva. A eliminação diante da Noruega, nas oitavas de final, também deve provocar impactos imediatos sobre a economia baiana, especialmente em setores que apostavam em uma campanha mais longa do Brasil para impulsionar as vendas e o movimento de clientes.

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes na Bahia (Abrasel-BA), Julio Calado, os maiores prejuízos serão sentidos pelos empresários que investiram na estrutura para transmitir os jogos da Seleção. Aproximadamente 52% dos bares e restaurantes baianos realizaram preparativos específicos para o Mundial, com a instalação de telões, sistemas de som, ampliação de equipes e adequação dos espaços para receber o público. Em alguns estabelecimentos, os investimentos chegaram a R$ 20 mil.

Na avaliação da Abrasel-BA, o encerramento precoce da campanha brasileira reduz significativamente o interesse do público pelas partidas restantes da competição. Enquanto os jogos da Seleção costumavam elevar o faturamento diário em até 200%, a expectativa agora é de uma queda de cerca de 50% no movimento durante as fases finais do torneio. O crescimento mensal projetado para o período da Copa, que poderia variar entre 20% e 70%, deverá ficar entre 5% e 10%.

Além dos bares e restaurantes, comerciantes que reforçaram estoques de camisas da Seleção, bandeiras, acessórios e artigos temáticos também devem enfrentar dificuldades para comercializar os produtos. A tendência é de redução acentuada na procura por itens diretamente ligados ao Mundial após a eliminação da equipe brasileira.

Por outro lado, especialistas avaliam que parte dessas perdas poderá ser compensada pela retomada da rotina de consumo. De acordo com o consultor econômico da Fecomércio-BA, Guilherme Dietze, segmentos como lojas de vestuário, calçados, óticas e outros estabelecimentos instalados em shoppings e centros comerciais tendem a recuperar o fluxo de consumidores, já que os dias de jogos da Seleção costumam reduzir significativamente a circulação de pessoas nesses locais.

Para Dietze, o impacto econômico da eliminação não deve ser analisado apenas pelo volume de perdas, mas pela redistribuição do consumo entre diferentes setores. Enquanto alguns empresários enfrentarão dificuldades para absorver os investimentos realizados em função da Copa, outros poderão registrar melhora nas vendas com a normalização do comportamento dos consumidores.

Assim, o encerramento da participação brasileira no Mundial altera a dinâmica do mercado baiano. Se para bares, restaurantes e vendedores de produtos temáticos a eliminação representa frustração e prejuízo, para outros segmentos do comércio ela marca o retorno gradual da atividade econômica aos padrões habituais, demonstrando que os efeitos da Copa vão além das quatro linhas.

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