terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

“BENDITA TATUAGEM” POR TOSTA NETO


No Colégio Nelson Rodrigues, o 3ºE era considerado a turma mais aplicada. Dentre os estudantes, João se destacava pelo alto nível de objetividade e reflexões sui generis acerca dos fatos. Ele era assaz introspectivo, tinha um rol restrito de amigos e, nos intervalos, costumava ficar na biblioteca “devorando” os clássicos universais. O tímido garoto era quase inacessível; os colegas o chamavam de coração de gelo, por sua vez, algumas meninas, principalmente Luana, sentiam-se atraídas pelo seu jeito discreto e misterioso.
Luana era uma aluna dedicada. Seus olhos não escondiam de ninguém o amor platônico por João. Queixava-se às amigas: “ele não dá bola para mim.” Ela era uma mulher linda e formosa: corpo esbelto, estatura alta, tez clara, cabelos longos e pretos, “cheia de charme” e esbanjava sensualidade. Todo esse repertório não era o suficiente para roubar a atenção do João.
João raramente ria; parecia viver submerso em pensamentos existenciais. O jovem salientava a sua predileção pelos filósofos alemães, sobretudo Friedrich Nietzsche e Martin Heidegger. Luana tentava usurpar um mísero olhar de João, nas raras vezes que conseguia, irradiava alegria. Na divisão da turma para a apresentação de seminário, ela “rezava” para cair na equipe de João. Toda vez que estavam próximos no plano espacial, Luana ficava nervosa, o coração batia mais forte e não articulava o raciocínio. Falava para si: “Meu Deus! Preciso tirar este homem da minha cabeça.”
No final da I Unidade, o 3ºE organizou uma viagem para um parque aquático. Para surpresa geral, João se predispôs a participar. Ele mal sabia o tsunami que o esperava...
Prefixo de domingo ensolarado. Céu sem resquícios de nuvens. 6h00: os estudantes do 3ºE entram no ônibus estacionado defronte ao Colégio Nelson Rodrigues. Algazarra adolescente. Caixinhas de som com baterias inesgotáveis “vomitam” músicas de qualidade duvidosa. Imune ao caos sonoro, João parecia estar em outro mundo. São 9h07. O ônibus chega no seu destino.
Os jovens estão eufóricos. Deslizes no tobogã. Mergulhos e mais mergulhos. A típica água de piscina impregnada de cloro banha os corpos juvenis. Enquanto isso, João se encontra debaixo de um coqueiro, quiçá submerso em reflexões, mas por pouco tempo. Seus olhos se arregalaram. O estado absorto se esvaiu. O pensamento entrou em vertigem. Afinal, o que tinha acontecido? O olhar joanino foi sugado pela aparição de Luana que trajava um belo biquíni vermelho. Todavia, não foi a peça de banho que sacudiu o garoto: “Nossa! Que tatuagem sensual e provocante. Um cacho com três cerejas no pé da barriga.”
João ficou aturdido. Nas profundezas do inconsciente, ele sente um fetiche por mulheres tatuadas. Quando João discerniu a tatuagem da graciosa Luana, o fetiche aflorou. A peculiar introspecção se dissipou. Inquieto, andava para lá e para cá. Em vão, mergulhou para tentar arrefecer a inquietação. Não conseguia esquecer o cacho de cerejas. Ele estava tão distraído, que não percebeu a aproximação de Luana:
– Olá João!
– Olá Luana – resposta com voz vacilante até o rosto ficar ruborizado.
– Estou surpresa com a tua vinda.
– Pois é.
– Você está gostando?
– Sim.
O diálogo prosseguiu por uns minutos. João sempre respondia de forma monossilábica. Ele se sentia como a presa acuada pela leoa. Intentava tirar forças do âmago para sair da postura defensiva. Luana percebeu que João estava visivelmente nervoso: voz embargada com respostas parcas. Ela nem desconfiava que a sua tatuagem provocou um maremoto nas profundezas do interior de João.
O sol concluiu o seu ciclo. Os estudantes arrumavam as coisas. Por capricho do destino, no regresso para casa, Luana sentou na poltrona ao lado de João. Mais ou menos após 40 minutos de viagem, ele desviou o olhar cheio de encantamento. A luz lunar iluminou o belo semblante de Luana. Num determinado instante, os olhares se entrecruzaram. O coração de João acelerou. Luana comentou consigo: “ele jamais me olhou assim. O que aconteceu?”.
A insegurança de João no episódio da piscina dissipou-se, apresentando confiança nos gestos e nas palavras:
– Tu gostaste deste dia?
– Gostei sim João.
­­– Para mim, foi um dia revelador.
– Como assim?
– Luana, por ora, não posso entrar em pormenores.
– Tudo bem.
– Tu estavas deslumbrante.
– Obrigada ­­­– Luana responde meio sem graça.
– Tu és uma mulher encantadora.
– Nem tanto. São teus olhos...
Entrementes ao diálogo, o âmago de João foi dominado por um desejo sexual arrebatador: temperatura corporal alta e excitação nas nuvens. Apesar dos pesares, ele represou o turbilhão de emoções. O bate-papo era fluido e espontâneo. Luana estava regozijada; jamais havia conversado de forma tão intensa com João. Anteriormente, os diálogos se resumiam a frases curtas sobre o cotidiano escolar:
– Já chegamos na nossa amarga cidade.
– Nem percebi. A conversa foi tão boa que o tempo passou voando.
– Luana, espero dialogar contigo em outras oportunidades.
– Meu Bem, eu também espero.
– Tu entrarás no WhatsApp mais tarde?
– Sim.
– Enviarei uma mensagem de boa noite para ti.
– Ficarei feliz.
– Tchau! Até... – João beijou-a perto da boca.
50 minutos se passaram...
# Oi. Aqui é o João.
# Oi. Teu número estava salvo aqui.
# Tu já tomaste banho?
# Sim. E você?
# Já. Posso te falar algo?
# Claro.
# Eu não paro de pensar em ti. (emojis de carinha envergonhada)
# Eu também não. Sinceramente, há tempos eu venho pensando em você.
# Sério?
# Muito sério!
# Tenho um convite para ti.
# Faça.
# Vamos sair amanhã para conversar?
# É melhor não.
# Por quê?
# Meus pais estão viajando. Estou sozinha. Se você não se importar, venha aqui em casa. (Ao ler essas mensagens, o corpo de João tremeu de excitação.)
# Irei sim. Será um prazer.
# Será bem melhor. Ficaremos à vontade. Ninguém irá nos incomodar. (emojis de coração)
# Concordo plenamente contigo. Qual horário?
# Às 19h30. Está bom para você?
# Perfeito!
# Vou ficando por aqui. Tenha uma noite maravilhosa. Beijos carinhosos.
# Uma noite maravilhosa para ti também. Beijinhos doces. (emojis de beijo e coração)
# Até amanhã!
# Até...
Prezado Leitor, não narrarei para ti como foi o dia de João e Luana. Sejamos objetivos! Sem delongas, avancemos às 19h30:
– Entre Meu Bem! Entre.
– Tudo bem contigo?
– Estou ótima! E você?
– Tudo maravilhoso – responde João com segurança e firmeza, porém seu corpo fervia de desejo. Subsequente ao breve diálogo, o silêncio imperou.
Luana usava um baby doll branco, circunstância que delineou a lingerie preta que circundava as curvas perfeitas do seu corpo. O sangue corria velozmente pelas veias de João. Luana se levantou:
– Vou desligar a televisão do meu quarto. Não demoro.
– Irei contigo!
– Venha!
Adentrando o espaço do quarto, João pegou na cintura de Luana e beijou-a suavemente. Depois a empurrou com força até a parede e disparou um quentíssimo beijo de língua. Luana não se conteve:
– Que homem! Que pegada! Adoro!
– Gostosa! Vou te devorar!
– Devore-me. Faça o que você quiser Meu Gostoso.
O baby doll desapareceu. João parou uns segundos e ficou a contemplar o corpo saboroso de Luana:
– Você é muito gostosa!
João ajoelhou-se e beijou loucamente a tatuagem de Luana. Arrancou o sutiã e esbaldou-se nos seios médios e apetitosos. Luana gemia de prazer. Ela deitou na cama:
– Venha me beijar todinha Meu Gostoso!
A língua de João percorreu as curvas do corpo escultural de Luana. O movimento ficou um tempo expressivo entre a barriga e as coxas. Luana gritou de excitação. Partes mais íntimas beijadas conjuntamente. Princípios masculino e feminino unidos. Idas e voltas. Movimentos leves e bruscos. Delicadeza e força. Alternância nas posições. O macho e a fêmea numa química perfeita. Gozos suscitam no mesmo instante. Suor frio desce nos semblantes. Corações a mil. Após uns minutos de êxtase, João exclama:
– Bendita tatuagem!

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