domingo, 2 de fevereiro de 2020

“O COMUNISMO E O APAGAMENTO DA HISTÓRIA” POR GEISSON PEIXOTO

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“Os dois monstros gêmeos, o comunismo e o nazismo, têm vocação genocida. Naquele, o genocídio de classe; neste, o genocídio de raça.” (Roberto Campos)

Era uma entrevista, frente a frente o jornalista e apresentador Pedro Bial ao lado do chamado “guru” do atual governo, especialmente do seu segmento mais radical e reacionário, Olavo de Carvalho. Segundo o, filósofo para uns, astrólogo para outros, “os governos de direita não mataram 10% do que assassinaram os governos de esquerda”. O entrevistador global concordou. Apesar do emissor da fala ser um tanto suspeito, não se pode dizer que o seu enunciado não esteja carregado de uma boa dose de verdade.
Existe um consenso por parte dos historiadores mais sérios de que os sistemas totalitários de esquerda, especialmente o Comunismo, exterminaram muito mais seres humanos do que o próprio Nazismo. A maior obra sobre o tema, “O Livro Negro do Comunismo”, composta por uma equipe de historiadores e universitários de vários países, estimam que na China ocorreram 65 milhões de assassinatos, na antiga União Soviética 20 milhões, na Coreia do Norte 2 milhões, no Camboja 2 milhões, 1,5 milhão no Afeganistão, 1 milhão na Europa Oriental, 150 mil na América Latina e tantos homicídios em múltiplas nações. Boa parte de fome e inanição. Diante de tanto flagelo, por que esse arquétipo de sociedade construída em gabinete ainda é tratado de maneira tão condescendente por tantas pessoas, inclusive intelectuais, em diversos países, inclusive o Brasil? A resposta mais provável: porque esse sistema representa um dos cinquentas tons da esquerda, ou o socialismo real para uns ou deturpado para outros, mas, ainda assim, um produto da esquerda. E tudo que for de esquerda é “bom” ou não tão mal. O monopólio do bem é canhoto, justificado pelo seu viés supostamente humanista, coletivista, filosoficamente belo e altruísta, embora na prática esteja carregado, em tantas oportunidades, de ódio de classe de viés autoritário.
A narrativa básica da esquerda diz ser contra as desigualdades, uma parte defende o fim da propriedade privada, sinônimo da assimetria social, concorda com o controle dos meios de produção e comunga do paradigma do Estado grande, interventor e protetor da vida alheia. Nas últimas décadas, para compensar a perda do discurso econômico depois da Guerra Fria, assumiu para si a defesa das chamadas minorias (negros, mulheres, índios e gays principalmente). Qualquer um que não seja de esquerda é estigmatizado com a pecha de ser contra essas pautas e, evidentemente, ninguém quer isso, até pelo fato de não ser verdade. A ignorância ou mesmo preconceito sobre o Liberalismo ou Conservadorismo só fortalecem essa visão. Pouco importa se os militantes de esquerda apoiem países que fomentam a pobreza (exemplos de Venezuela, Cuba e Coreia do Norte), que são culturalmente homofóbicos (Rússia, Cuba e vários países do Oriente Médio), que discriminam as mulheres (todas as nações citadas anteriormente e outras), além de antidemocráticos. O importante e fundamental é que sejam antiamericanos. Pouco importa se negros, mulheres ou gays de direita não sejam igualmente defendidos. A hipocrisia é o lugar comum. No debate público, pelo menos para a maioria, o discurso é tudo.
A doutrina do filósofo italiano Antonio Gramsci de fomentar os ideários marxistas, assaltando corações e mentes por meio das instituições humanas, dos centros de formação de pensamento (universidades, escolas, mídia, etc.) deu muito certo e, não por acaso, professores, artistas e jornalistas, em grande parcela, são de esquerda. Teses, trabalhos acadêmicos anticomunistas em universidades são algo raro e não bem-vistos. Estudar as reflexões de Ludwig Von Mises, Stuart Mill, Edmund Burke, Roger Scruton e Michael Oakeshott é tido como ação perigosa e deve ser evitada.  Personagens históricos como Winston Churchill, Ronald Reagan, Charles De Gaulle ou Margaret Thatcher são esquecidos ou demonizados. Quem discorda dos paradigmas, dos métodos vermelhos é taxado de fascista, nazista ou qualquer “ista” que vier à boca (menos comunista evidentemente, algo maravilhoso). As categorias políticas são rasteiramente banalizadas. A ideia é espalhar ignorância a tudo aquilo que não se enquadre na visão de mundo da esquerda e de obscurecer os crimes cometidos em nome de um projeto utópico de sociedade. A hegemonia no campo do pensamento por parte da esquerda está sendo usada, de alguma maneira, para o apagamento de uma parcela importante da história.
Importante salientar que a trajetória dos ideários de Marx não é feita apenas de pontos negativos, representado principalmente pelo Comunismo, muito pelo contrário. Ela contribuiu e contribui para a conquista de diversos direitos, para a diminuição de diversas formas de desigualdade e outras reflexões sobre a existência humana em seus diversos campos. Pensamentos diferentes devem coexistir, pois sem eles não existe democracia verdadeiramente. Isso posto, nem as “melhores” das intenções devem justificar as piores atrocidades contra seres humanos. Assim como é necessário se fazer justiça aos milhões de mortos pelo Nazismo, aos infindáveis homens negros escravizados e às diversas vítimas de genocídio, os homens, mulheres e crianças exterminados pelo comunismo não devem ser apagados da história. Os fins não justificam os meios. Nenhum arquétipo de sociedade deve estar acima do direito inalienável da existência humana: a liberdade e a vida.

(Geisson Peixoto, 02/02/2020)






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