quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

ANO DE 2025 FOI O TERCEIRO MAIS QUENTE DA HISTÓRIA


Após um ano marcado por eventos climáticos extremos — como os incêndios florestais que devastaram Los Angeles, as inundações e mortes provocadas por um ciclone tropical no Sudeste Asiático e a seca severa que levou o Irã a considerar a mudança de sua capital —, o ano de 2025 terminou como o terceiro mais quente já registrado. O resultado fica atrás apenas de 2023 e 2024, que registraram temperaturas sem precedentes.

Dados divulgados pelo Copernicus, programa de monitoramento climático da União Europeia, mostram ainda que os últimos três anos apresentaram temperaturas médias globais mais de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, limite estabelecido pelo Acordo de Paris. É a primeira vez que um período de três anos consecutivos ultrapassa esse patamar.

De acordo com o monitor climático europeu, as temperaturas em 2025 ficaram 1,47°C acima dos níveis pré-industriais — apenas 0,01°C abaixo do recorde de 2023 — após um aumento de 1,6°C registrado em 2024. A temperatura média global no ano passado foi de 14,97°C.

Para Mauro Facchini, responsável pela observação da Terra na Comissão Europeia, o fato de o mundo ter ultrapassado o limite de 1,5°C por três anos seguidos representa um “marco que nenhum de nós desejava alcançar”.

Especialistas alertam há décadas sobre os riscos associados à superação desse limite definido no Acordo de Paris de 2015. Entre as principais consequências estão o aumento dos dias de calor extremo, além da intensificação de enchentes mortais e tempestades cada vez mais destrutivas.

Segundo Carlo Buontempo, diretor do Serviço de Mudanças Climáticas do Copernicus, o planeta caminha para ultrapassar o limite de 1,5°C de forma permanente no longo prazo. “A escolha que temos agora é como melhor gerenciar o inevitável excesso e suas consequências para as sociedades e os sistemas naturais”, afirmou.

Cientistas concordam que é necessário agir em duas frentes simultâneas: reduzir drasticamente as emissões de gases de efeito estufa por meio da transição para fontes de energia limpa e, ao mesmo tempo, adaptar sociedades e ecossistemas para viver em um planeta mais quente.

Durante a cúpula climática das Nações Unidas realizada em Belém, países prometeram US$ 120 bilhões (R$ 645,5 bilhões) para apoiar nações vulneráveis em projetos de adaptação, como construção de diques, sistemas de alerta precoce e desenvolvimento de culturas resistentes à seca. No entanto, especialistas ressaltam que compromissos financeiros nem sempre se transformam em ações concretas.

El Niño intensificou a tendência de aquecimento

Embora os gases de efeito estufa continuem sendo o principal fator por trás do aumento das temperaturas globais, outros elementos contribuíram para agravar o cenário recente. Esses gases, liberados principalmente pela queima de petróleo, carvão e gás, retêm calor na atmosfera e estão diretamente associados à intensificação de eventos climáticos extremos em todo o mundo.

A situação é agravada pela destruição de sumidouros naturais de carbono, como as florestas, que desempenham papel fundamental na absorção de CO₂ da atmosfera.

Segundo Laurence Rouil, diretor do Serviço de Monitoramento Atmosférico do Copernicus, os dados de 2025 deixam claro que a atividade humana segue como principal responsável pelas temperaturas excepcionais. Ele destacou que “os gases de efeito estufa aumentaram de forma contínua ao longo da última década”.

Além disso, o fenômeno El Niño, especialmente intenso em 2023 e 2024, contribuiu para elevar ainda mais as temperaturas ao transferir calor dos oceanos para a atmosfera.

Os impactos foram observados em escala global. O Copernicus identificou que o gelo marinho nos polos Norte e Sul atingiu níveis mínimos históricos em 2025. A Antártida registrou sua temperatura anual mais alta já medida, e cerca de metade das áreas terrestres do planeta enfrentou dias mais quentes do que a média.

“A atmosfera está nos enviando uma mensagem, e precisamos ouvi-la”, concluiu Rouil.

Com informações da DW, parceira do Metrópoles.

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