Dos 26 cursos avaliados no estado, quase metade apresentou desempenho considerado insatisfatório. Em contrapartida, apenas quatro alcançaram conceito máximo 5, enquanto outros sete obtiveram conceito 4, classificado como satisfatório pelo Inep.
O resultado reacendeu o debate sobre a expansão acelerada de faculdades de Medicina sem a devida estrutura. Em entrevista concedida nesta terça-feira a uma rádio da capital baiana, o presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb), Dr. Otávio Marambaia, afirmou que a abertura indiscriminada de cursos representa um risco direto à população. Segundo ele, muitas instituições não dispõem de hospitais de ensino, corpo docente qualificado e campos de prática suficientes para garantir uma formação segura.
“O problema não é formar mais médicos, mas formar médicos sem a estrutura mínima necessária. Isso compromete a qualidade da assistência e coloca a vida das pessoas em risco”, alertou Marambaia.
O MEC informou que cursos com conceitos 1 e 2 entram automaticamente em processos de supervisão conduzidos pela Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres). As instituições poderão apresentar planos de correção, mas as medidas cautelares permanecem válidas até nova avaliação.
De acordo com o Inep, o Enamed 2025 avaliou mais de 89 mil estudantes e médicos em todo o país. Embora 75% tenham alcançado desempenho considerado proficiente, o baixo rendimento em parte significativa dos cursos reforça as críticas de entidades médicas sobre a expansão do ensino privado sem garantia de qualidade.

0 comments: