domingo, 8 de dezembro de 2019

ENGUIA CONTROLA ILUMINAÇÃO DE NATAL EM AQUÁRIO DOS EUA


Você já levou choque de uma cerca elétrica? De acordo com Ken Catania, pesquisador da Universidade Vanderbilt, nos Estados Unidos, ser eletrocutado por uma enguia causa uma sensação parecida. A afirmação é bem embasada, já que Catania testou os efeitos do choque em seu próprio braço. Acredita-se que, no caso de enguias maiores, porém, a tensão elétrica gerada possa chegar aos 800 volts. Aí, o buraco é bem mais embaixo. A não ser que você um dia mergulhe junto a esses peixes, não há perigo – já que a eletricidade das enguias se propaga somente pela água. Mesmo com essa limitação, um grupo de funcionários do Aquário Tennessee, na cidade de Chattanooga, EUA, conseguiu usar a habilidade eletrizante delas em um experimento pra lá de peculiar: controlar o brilho das luzinhas de uma árvore de natal. O responsável por regular a iluminação natalina do Aquário é ninguém menos que Miguel Wattson – enguia que vive em um tanque da exposição “Rios do Mundo”.
Antes de tudo, vale um adendo: não é exatamente a eletricidade gerada por Miguel Wattson que alimenta o circuito das luzinhas. Um sistema especial de sensores localizado no interior do aquário primeiro capta os pequenos choques da enguia. A intensidade desses choques, então, é que regula a iluminação da árvore. Se o peixe descarrega mais energia, o brilho é maior; se ele eletriza a água por mais tempo, as lâmpadas piscam com maior duração. Na prática, é como se a enguia controlasse o show de luzes de dentro do aquário. “Sempre que Miguel descarrega eletricidade, sensores na água transmitem essa carga para um conjunto de alto-falantes”, explica Joey Turnipseed, produtor audiovisual do Aquário de Tennessee em um comunicado. “Os alto-falantes convertem a descarga elétrica no som que você ouve, e faz as luzinhas de natal piscarem”. O som, na verdade, serve meramente para chamar a atenção dos transeuntes à performance da enguia. No mesmo texto à imprensa, uma funcionária do Aquário de Tennessee explica que o piscar rápido das luzes é resultado de pequenos “espasmos” elétricos que o peixe libera quando está tentando encontrar comida. A tensão gerada pela enguia quando está “calma”, que normalmente serve como forma de comunicação, costuma ficar na casa dos 10 volts.
Já os flashes mais intensos são uma resposta aos choques mais fortes que Miguel emite, principalmente quando está se alimentando ou animado com algo. Essa habilidade única das enguias existe graças aos eletrócitos, células especiais em formato de disco que funcionam como uma bateria elétrica.

Made in Brazil

Enquanto não está atuando como gerador para a decoração natalina, Wattson leva sua vida como uma verdadeira celebridade – do tipo que tem conta verificada e mais de 38 mil seguidores no Twitter. Em vários momentos, a enguia twitteira se limita a atualizar seu microblog com sons de choque: SKA-DOOOOOSH!!!!!!”, “ZING”, “ZOPT”, “BUZZZZZZZ!!!!!!”. O perfil da enguia no Twitter está sincronizado aos picos de liberação de eletricidade da enguia – e solta uma onomatopeia do tipo sempre que Wattson descarrega grande quantidade de energia na água. A parte mais legal de toda a história é que, apesar do nome de gringo, Wattson é natural da Amazônia Brasileira. Sua origem sul-americana é revelada com humor em postagens como a seguir – essas, feitas pela equipe do Aquário, é claro.
“Na Amazônia, onde você normalmente me encontra, os rios têm grande quantidade de sedimentos; então a água nem sempre é cristalina. Felizmente, eu consigo “enxergar” liberando uma pequena quantidade de eletricidade. O português do Brasil tem um ditado que define nossa situação com maestria: “Não ver um palmo diante do nariz.” Bom trabalho, Wattson. E se algum dia resolver retornar à sua terra natal, dê um alô. Árvores natalinas para iluminar, por aqui, não faltam.

(Fonte: Superinteressante / *Edição OutroOlharInfo)

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