domingo, 1 de março de 2020

“REVOLUÇÃO AGRÍCOLA: A MAIOR REVOLUÇÃO ECONÔMICA DA HISTÓRIA” POR TOSTA NETO

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Agricultura vem do latim agricultura, composta por ager (campo, terra) e cultura (cultivo), no sentido estrito de “cultivo da terra”. Qualquer grande nação precisa ter uma agricultura forte. As civilizações antigas tiveram como base econômica a agricultura. Na economia, a agricultura está no setor primário. Afirmar a importância da agricultura soa como uma redundância. A agricultura é imprescindível para compreender o desenvolvimento econômico na história. Não se deve negar o peso expressivo da economia no estudo histórico da humanidade. A palavra economia origina-se no termo grego oikonomos e pode ser entendida como “aquele que administra um lar”. Eis a administração dos recursos do lar, logo, temos uma lei básica da economia: os recursos são escassos. É necessário equilíbrio na administração dos recursos que sustentam a casa, a aldeia, a cidade etc.
Desde o Paleolítico (Velha Idade da Pedra), o ser humano teve “jogo de cintura” para administrar os recursos primordiais à sobrevivência. Nesta época, a agricultura ainda não existia; os grupos humanos eram nômades, viviam da caça, pesca e coleta de frutos e raízes. Obviamente, os nossos ancestrais observavam os fenômenos da natureza: perceberam que sementes espalhadas pelos pássaros e outros animais, brotavam e davam origem a novas plantas. A partir daí, por volta de 9.000 a.C., surge a agricultura, marco inicial do Neolítico (Nova Idade da Pedra). Só para efeito de curiosidade, alguns historiadores trazem o termo Mesolítico, que é uma fase de transição das idades supracitadas, períodos que formam a Pré-História. A agricultura não surgira de “um estalo de dedos” ou “num piscar de olhos”. As mudanças e descobertas na história são oriundas de um processo de longa duração.
O advento da agricultura oportunizou uma maior oferta de alimentos, tendo como consequência o aumento da população. Deve-se enfatizar também o uso dos metais nesta conjuntura, fator básico no fabrico de ferramentas mais eficientes. Com a agricultura, o homem passou a produzir o seu próprio alimento, por conseguinte, não havia a premente necessidade de deslocar-se de um lugar para o outro. A sedentarização possibilitou a formação de aldeias neolíticas (6.000 a.C.) no Oriente Médio. As aldeias em questão tinham como pilar econômico o trigo, importante fonte alimentícia. O subsequente crescimento populacional proporcionara o aparecimento das cidades. Doravante, teremos um elemento novo na história: a vida urbana.
Viver na cidade apresentava as suas especificidades. Era mister organizar a sociedade conforme um aparato administrativo para impor a ordem. A vida na urbe é um critério assaz relevante na constituição do Estado. A civilização que conhecemos está alicerçada no arcabouço estatal. O Estado surgiu com diversas atribuições: construção de obras públicas, administração da cidade, criação e aplicação das leis, zelo pela segurança, etc. O Estado nascera no bojo da Revolução Agrícola, esta última, impulsionada pelos grandes proprietários de terra. A revolução econômica no Neolítico, literalmente, “pariu” o Estado. Em tempos hodiernos, é muitíssimo difícil imaginar a sociedade desprovida do Estado. Afirmo categoricamente: não existe a civilização sem o Estado.
Inestimável Leitor, continuarei a narrar as consequências da Revolução Neolítica. O comércio tem suas raízes na agricultura, ora, o excedente da produção fora deslocado às trocas comerciais. Ademais, os registros de colheita, estoque de alimentos, transações de comércio e o recolhimento de impostos delinearam a necessidade de um meio para organizar essa gama vasta de informações, portanto, suscita-se a escrita por volta de 4.000 a.C. Alguns historiadores, sobretudo da corrente positivista, atestam o surgimento da escrita como marco inicial da Idade Antiga. No âmbito da Revolução Agrícola, a pecuária adquire significância; a maior oferta de lã ovina, e o linho e o algodão das lavouras, guarnecem a tecelagem, melhorando de forma expressiva a qualidade das vestimentas.
É insofismável a ligação umbilical entre a humanidade e a agricultura. Desde os primórdios da civilização, tal elo já era explícito. No Egito Antigo, a agricultura desenvolvera-se nas margens do Rio Nilo. A economia estava peremptoriamente enraizada na agricultura, tão enraizada, que o povo egípcio via o Nilo como uma divindade, denominada Hapi. Na Índia, os rios Indo e Ganges não fugiram deste script. Na teoria econômica, a escola fisiocrata no século XVIII, cujo principal representante foi François Quesnay, argumentou ser a terra a única fonte de riqueza. Os fisiocratas defenderam a tese que apenas a agricultura fornece as matérias-primas essenciais à indústria e ao comércio. Traçando um paralelo com o século XXI, a balança comercial brasileira tem o status de superávit primário graças a agricultura. Por sinal, o Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do mundo. Enfim, cada linha deste modesto artigo tentou mostrar o quão a agricultura foi importante no progresso da civilização. Os países não podem dar-se ao luxo de prescindir da agricultura. Vida longa à agricultura!


(Tosta Neto, 01/03/2020)

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