domingo, 6 de setembro de 2020

MARTE COM INVERNO DE MAIS DE -120ºC COMPLICA PRESENÇA HUMANA

 Marte: O grande objeto de estudo espacial da década de 2020

Até hoje nenhum humano jamais pisou em Marte, deixando isso somente para sondas e robôs, mas a curiosidade sobre o nosso vizinho no Sistema Solar é grande, principalmente pela ‘proximidade’ entre os planetas – 54,6 milhões de quilômetros – e a possibilidade de estabelecer uma colônia humana por lá está sendo estudada há mais de 30 anos.

Se isso vai ser possível ou não, ninguém sabe. Mas um dos obstáculos é evidente: a temperatura do planeta. Por ter uma órbita extremamente elíptica, a diferença entre o verão marciano e o inverno é extrema. O calor por lá é de algo em torno de 22º C, enquanto a estação fria faz os termômetros despencaram para algo próximo de -125º C.

Sobre a temperatura na superfície (que é em média de -63 °C) e a radiação, já existe engenharia disponível para fazer trajes de proteção e abrigos para os astronautas. Mas, as tempestades de poeira recorrentes ainda são um problema que ainda requer muito estudo.

O fato é que povoar Marte é um desafio e tanto, porque embora já se saiba que o planeta já teve os ingredientes necessários para a existência de vida (água, compostos orgânicos e um clima favorável) há bilhões de anos, hoje ele é um planeta hostil a organismos.

Outro problema é a atmosfera: 95% dela é composta de dióxido de carbono (CO2). Além disso, tudo indica que o núcleo do planeta encontra-se em estado sólido. O que isso significa? Que o campo magnético de Marte é extremamente fraco, o que faz com que a sua atmosfera seja constantemente dissipada devido aos chamados ventos solares.

Especialistas afirmam que os principais desafios tecnológicos e sanitários para enviar uma missão tripulada a Marte, que duraria dois ou três anos, já foram quase todos resolvidos pela ciência. Para o lançamento, já existe foguetes potentes fabricados pela Nasa desde a década de 1980. Os astronautas teriam que ficar por lá durante 15 meses, esperando que Marte e Terra alcancem uma posição que facilite esse retorno.

Mas lá tem água

Uma boa notícia é que não falta água em Marte. Quer dizer, ao menos na forma de gelo em suas calotas polares. Estima-se que exista 21 milhões de km3 de gelo no planeta, tanto em sua superfície quanto no subsolo. Esse volume seria o suficiente para cobrir a sua superfície toda em um hipotético oceano com 35 metros de profundidade.

Isso não ocorreria por um detalhe: a pressão atmosférica de Marte é muito baixa, o que dificulta que a água se mantenha em estado líquido.

Há indícios que nem sempre foi assim e que, há 3,8 bilhões de anos, Marte tinha uma atmosfera mais densa, o que permitiu a ocorrência não apenas de água em estado líquido, mas também a existência de lagos e oceanos em sua superfície. Seria um cenário que permitiria, ao menos hipoteticamente, a existência de vida no planeta vermelho.

A presença de moléculas orgânicas complexas foi confirmada pela sonda Curiosity, da Nasa. Mas os dispositivos a bordo não puderam concluir se elas teriam origem biológica. Ou seja, a gente ainda não sabe se de fato houve vida em Marte.

Essa é a missão da Perseverance, sonda da Nasa enviada a Marte no final de julho, que deve pousar em 18 de fevereiro de 2021 na cratera Jezero, onde um rio correu de 3 a 4 bilhões de anos atrás, depositando lama, areia e sedimentos. Na Terra, micróbios de bilhões de anos foram encontrados fossilizados nas rochas de deltas semelhantes.

 (Fonte: Hypeness / *Edição OutroOlharInfo)


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