sexta-feira, 6 de novembro de 2020

UM EM CADA DEZ TUÍTES ENVIADOS A CANDIDATAS MULHERES TEM CONTEÚDO OFENSIVO E XINGAMENTOS

Em um mês, 123 candidatas às prefeituras e câmaras municipais receberam 10,3 mil tuítes contendo termos ofensivos. O projeto MonitorA, da Revista AzMina e do InternetLab, com parceria do Instituto Update, analisou 3,1 mil mensagens, das quais 40% tinham xingamentos direcionados às candidatas com apelos a estereótipos relacionados ao corpo, à sexualidade, à estética e à beleza.

A ferramenta foi desenvolvida para avaliar o grau de violência e do discurso de ódio contra as mulheres no âmbito da disputa política e da repercussão no ambiente virtual. Foram coletados 93,3 mil tuítes entre 27 de setembro e 27 de outubro destinados a candidatas a cargos de vereadoras, vice-prefeitas e prefeitas de nove partidos que concorrem às eleições em São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Pará e Santa Catarina, além das candidatas às prefeituras dos municípios de Rio de Janeiro e Porto Alegre.

Entre as dez candidatas mais atacadas, estão Joice Hasselmann (PSL), Manuela D’Ávila (PCdoB) e Benedita da Silva (PT). Há ainda candidaturas que são alvo de comentários transfóbicos, como é o caso da co-deputada Érika Hilton, que disputa uma vaga na Câmara de São Paulo. 

O monitoramento abarcou mulheres negras, brancas, indígenas, heterossexuais, lésbicas, bissexuais, religiosas, cissexuais e transexuais, entre outras. Entre as ofensas e xingamentos mais frequentes estão a gordofobia, que atingiu 55% dos tuítes direcionados à candidata à Prefeitura de São Paulo, assédio moral ligado ao comunismo, presente em 51% das ofensas à candidata do PCdoB em Porto Alegre.

Já entre os xingamentos mais frequentes estão: comunista, peppa, porca, burra, ridícula, falsa, louca, vagabunda, idiota, hipócrita, maconheira, amante, mentirosa, imbecil e jumenta. “Com o monitoramento, nosso propósito é contribuir para a discussão da violência de gênero em termos de políticas públicas e privadas nas redes sociais”, disse Bárbara Libório, gerente de projetos do Instituto AzMina. 

“Esse projeto vai dar acesso ao cotidiano de campanhas online de mulheres e ajudar a compreender os contornos das violências que ocorrem, tendo em vista inclusive que as mulheres são múltiplas” acrescenta Mariana Valente, diretora do InternetLab. O monitoramento será mantido durante toda a campanha eleitoral, no primeiro e segundo turno, e deverá contemplar também outras redes sociais como Instagram e YouTube.


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