Conforme anunciado pelo prefeito, a obra de implantação da Areninha seria fruto de uma parceria entre o Município de Amargosa e o Governo do Estado da Bahia. A intervenção chegou a ser iniciada, sofreu uma interrupção de aproximadamente 60 dias, foi retomada por cerca de dez dias e, desde então, encontra-se novamente paralisada. Atualmente, não há trabalhadores no local nem qualquer sinal concreto de avanço, apesar do investimento anunciado, que se aproxima de R$ 1 milhão.
Segundo relatos de moradores, o espaço, que antes era amplamente utilizado pela população para lazer e atividades esportivas, transformou-se em um símbolo de abandono. A principal queixa é a ausência de informações claras sobre os motivos da paralisação e sobre um possível cronograma para a retomada dos serviços.
Em nota encaminhada ao Portal Vale FM, a Prefeitura Municipal de Amargosa informou que, apesar de não ser responsável direta pela execução da obra, acompanha a situação e notificou a empresa responsável, cobrando esclarecimentos e a retomada das atividades. O prefeito Getúlio Sampaio também teria mantido contato com a Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia (SUDESB), solicitando providências.
No entanto, a existência de uma suposta parceria entre o município e o Governo do Estado tem levantado questionamentos entre os moradores quanto à efetividade dessa relação institucional, uma vez que, mesmo com o acompanhamento anunciado, a obra segue paralisada e sem cronograma divulgado.
Além do impacto urbano, a paralisação da Areninha agrava uma carência histórica do esporte em Amargosa, especialmente para os amantes do futebol. A cidade dispõe de poucos espaços públicos adequados para a prática esportiva, e o antigo campo do Malmequer sempre teve papel fundamental como ponto de encontro de atletas amadores, jovens e projetos sociais ligados ao esporte. Com a obra parada, praticantes seguem sem alternativa adequada, prejudicando a formação esportiva, o lazer comunitário e ações de inclusão social.
O caso da Areninha de Amargosa reflete um problema mais amplo enfrentado em todo o estado da Bahia. Dados do Tribunal de Contas da União (TCU) apontam a existência de 926 obras paralisadas no estado, com mais de R$ 1,5 bilhão empenhado. Paralelamente, o Governo da Bahia tem intensificado sua política de endividamento, com empréstimos aprovados que já ultrapassam R$ 26 bilhões, incluindo R$ 720 milhões junto ao BNDES e um novo pedido de R$ 650 milhões ao Banco do Brasil.
Enquanto novos recursos são contratados, áreas essenciais como saúde, educação e infraestrutura urbana e rodoviária seguem enfrentando dificuldades, além da manutenção de projetos inacabados em diversos municípios. Nesse contexto, a Areninha de Amargosa torna-se mais um exemplo da contradição entre investimentos anunciados e a demora na entrega de obras públicas, impactando diretamente a qualidade de vida da população e deixando a comunidade esportiva local à margem das políticas públicas.

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